ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A disponibilidade de geração termelétrica foi ampliada para 1.100 MW Photo: José Manuel Correa

A implementação do Programa de Governo para a Recuperação do Sistema Elétrico Nacional (SEN) tem sido consistente com o planejado, «mas a escassez de combustível continua sendo a principal causa dos apagões, razão pela qual não foi possível atingir a redução projetada para o verão. Nesse sentido, estamos trabalhando para uma solução definitiva», reconheceu Vicente de la O'Lévy, titular do ministério de Energia e Mineração (Minem), perante a Assembleia Nacional do Poder Popular.
 No segundo dia da 5ª sessão ordinária da 10ª Legislatura, enfatizou que há «um aumento sustentado da demanda e do consumo, condicionado, entre outras causas, pela falta de gás liquefeito e pela entrada no país de milhões de eletrodomésticos». Isso significou que 2024 foi marcado por um declínio na capacidade disponível em todas as tecnologias de geração de eletricidade, devido à falta de financiamento para sua manutenção e sustentabilidade. Deixamos de gerar 6.700 gigawatts-hora (GWh) em comparação com 2019, acrescentou.
 De la O Levy referiu-se ao declínio da produção nacional de combustíveis. Somente em 2024, a produção de petróleo bruto foi perdida em comparação com 2023. Além disso, as importações de combustíveis necessários à economia nacional diminuíram devido às restrições financeiras.
 Diante dessa acentuada deterioração na geração de eletricidade, o Programa Governamental para a Recuperação do Sistema Energético Nacional (SEN) foi desenvolvido e implementado. Ele propõe soluções sustentáveis que nos levarão à resolução do déficit de geração, caminhando em direção à soberania energética.
 Especificou que isso envolve a redução das importações de combustíveis e o aumento das fontes nacionais: petróleo bruto, gás associado e fontes de energia renováveis.
 O ministro especificou que, para a recuperação, «30 bilhões de pesos foram alocados somente em moeda local para apoiar as ações realizadas em todo o SEM».
 Sobre os resultados até o momento, explicou que:
 O declínio na produção de petróleo foi interrompido e a produção de petróleo bruto e gás associado cresceu este ano.
 O programa de instalação de novos parques solares fotovoltaicos avança a todo vapor, atingindo o total de 22 parques com capacidade de 481 MW, como parte de um megaprojeto que permitirá a geração de 2.000 MW e que conta com «a grande maioria dos recursos para sua execução no país».
 Além disso, estão em andamento as obras de construção do parque eólico Herradura 1 e da pequena central hidrelétrica de Alacranes.
 

O objetivo é fornecer equipamentos que aproveitem fontes de energia renováveis para ajudar a minimizar o impacto dos apagões; bem como importar 5.000 sistemas solares fotovoltaicos para eletrificar comunidades isoladas que atualmente não têm eletricidade e aquelas que recebem eletricidade por meio de geradores a diesel.
 No caso da geração com usinas térmicas, que iniciou o ano com uma média de 850 MW disponíveis, a disponibilidade foi ampliada para 1.100 MW. «Essa tecnologia continua sendo a mais incerta devido ao risco de paradas não planejadas dessas unidades, em decorrência dos longos anos de operação e de suas condições técnicas», acrescentou.
 A geração distribuída também foi restaurada, com aproximadamente 1.000 MW disponíveis atualmente, resultados alcançados principalmente graças a doações de países parceiros como a China.
 Na Energas, afirmou, «estabelecemos uma meta, com base na recuperação da produção de gás e na manutenção das turbinas, de atingir uma geração média diária acima de 340 MW. Essa meta vem sendo cumprida desde 1º de julho, mantendo uma média de 360 MW a 400 MW disponíveis nesta usina».
 Garantiu que a alta liderança do país continua trabalhando na busca de alternativas para resolver definitivamente a estabilidade do abastecimento de combustível, que tem sido o problema mais difícil de resolver devido aos seus altos custos e à implacável pressão financeira.
 «Mais uma vez, reafirmamos que esta é a estratégia correta. Concluída a manutenção, continuaremos incorporando usinas termelétricas com capacidade superior a 300 MW», afirmou.
 O ministro enfatizou que não tem sido possível avançar rapidamente na reabilitação da rede, que apresenta uma situação tão tensa quanto a da geração, com necessidades significativas de financiamento. Apenas um pequeno montante foi garantido para a compra de recursos para transformadores, que começarão a chegar no segundo semestre deste ano.
 «Uma situação semelhante existe em relação à manutenção da geração com geradores de emergência para dar suporte a centros econômicos vitais», especificou.
 Abordando a insatisfação da população com a rotação de circuitos durante o planejamento do apagão, afirmou que «não há dúvida de que a melhor rotação de circuitos que pode ser alcançada é continuar reduzindo as horas de apagão com este Programa».
SOBRE A NECESSÁRIA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
 Quando falamos em transição energética, muitos pensam que «isso é para o futuro». No entanto, para dar apenas um exemplo, hoje existem 780 estações elevatórias de água que atendem à população e que não são afetadas graças a fontes de energia renováveis, descreveu o ministro de Energia e Mineração.
 Explicou que também existem 472 estações elevatórias para o setor agroalimentar que operam com energia solar, e que o déficit do meio-dia é de cerca de 400 MW a menos porque instalamos 22 novos parques solares fotovoltaicos até o momento.
 Apesar de tudo, refletiu, alguns continuam se perguntando por que não compramos mais petróleo ou consertamos antigas termelétricas. A resposta é clara: nem dinheiro nem tempo justificam. «Uma usina termelétrica leva dois anos para ser modernizada; um parque solar é instalado em três meses; cada painel que instalamos hoje é um combustível que não precisaremos importar amanhã e que não temos hoje», afirmou.
 No entanto, o programa visa recuperar nossas termelétricas, como base para a geração. É apenas uma questão de tempo, ressaltou.
 De la O Levy anunciou que estão previstas obras de manutenção para a termelétrica de Guiteras, em Matanzas, em médio prazo; e a restauração da unidade de 250 MW de Felton, que já foi iniciada.
 «Este programa de governo é, sem dúvida, o caminho certo para eliminar o déficit de geração e avançar no caminho da soberania energética. Temos a responsabilidade de apoiar seu desenvolvimento, independentemente da posição em que nos encontremos», afirmou.
 «Somos o país que transforma o bloqueio em inventividade e a escassez em criatividade. Temos clareza sobre como avançar, onde aplicar todos os recursos e todos os esforços, para obter o melhor resultado no menor tempo possível. Esse é e continuará sendo o nosso compromisso com o povo», concluiu.