ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A Rede foi criada em 2003 pelos comandantes Fidel Castro Ruz e Hugo Chávez Frías. Photo: Estúdios Revolución
«Vamos colocar todo o nosso esforço nisso desde Cuba». Este foi o compromisso contundente compartilhado na tarde desta quinta-feira, 16 de outubro pelo primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, com um grupo de intelectuais, amigos e companheiros de fé que se reuniram na Ilha em um momento em que o mundo vive seu momento mais difícil, e é nosso dever colocar nossa inteligência e coração para deter essa barbárie.
 
Um diálogo entre pensadores de esquerda durou quase quatro horas. No Salão Che Guevara, da Casa das Américas, o dignitário aludiu à complexidade atual e à necessidade de orientar a consciência e a subjetividade dos povos, sempre focado na defesa das ideias humanistas e naquele amor de que falava o Guerrilheiro Heroico.
 
O encontro de intelectuais reflete a nova fase da Rede de Artistas e Intelectuais em Defesa da Humanidade, uma força de combate criada em 2003 pelos Comandantes Fidel Castro Ruz e Hugo Rafael Chávez Frías. A rede será liderada pelo recém-eleito comunicador Miguel Pérez Pirela, como seu coordenador geral.
 
Díaz-Canel falou em reconhecer a complexidade do momento, mas também na possibilidade de articulação e união a partir da esquerda. O chefe de Estado denunciou a expressão global de uma política hegemônica caracterizada pelo desprezo pelo povo.
 
Diante da ameaça militar na região de Nossa América, o presidente se referiu à responsabilidade dos partidos de esquerda, revolucionários e humanistas quanto ao «papel que temos que desempenhar» e ao que «devemos estar dispostos a dar para impedir que os objetivos imperialistas» se materializem.
 
Era inevitável que o presidente se lembrasse do legado de Fidel, aquele «intelectual robusto», erudito em seu conhecimento de história, ciência, sociedade e política, que tentou, segundo ele, fazer com que o movimento de intelectuais e artistas entendesse seus papéis e como, por meio da cultura, pontes poderiam ser construídas para defender as melhores causas.
 
O presente, refletiu Díaz-Canel, «nos impõe uma tarefa urgente: a de defender a humanidade da barbárie neofascista que está ressurgindo». O dignitário denunciou que há muitas mentiras a serem desmanteladas, e uma abordagem solidária e inclusiva é essencial, uma que «honre a máxima de José Martí de que a Pátria é a humanidade».
 
Sobre Gaza, «o genocídio televisionado, um genocídio que dói», refletiu, o que deixa tantas perguntas quanto aquelas sobre o destino e as garantias do povo palestino.
 
Sobre a agressão à Venezuela, a ameaça imperial no Caribe e as construções midiáticas contra o presidente Nicolás Maduro, o presidente se pronunciou. Entre outras coisas, enfatizou que «diante desses acontecimentos, não podemos permanecer impassíveis, pois estaríamos abrindo a porta à impunidade para um neofascismo fortalecido».
 
Unidade e ação, enfatizou, podem enfrentar essa ameaça. E não negligenciou a necessidade de defender o pensamento crítico, garantir a alfabetização digital e «traduzir tudo isso em ação política".
 
O presidente afirmou que a verdade está de acordo com os interesses e aspirações do povo e perguntou como afirmar essa verdade em um mundo tão complexo e ameaçado.
 
«A defesa — enfatizou — se baseia na força do conteúdo dessa verdade; mas também na ética revolucionária e na beleza; beleza que move os sentimentos, que motiva, que faz vibrar as fibras da emoção e do compromisso».
 
«O que estamos propondo», afirmou o chefe de Estado, «é uma revitalização comunicacional da Internet, uma ofensiva no plano das ideias e, sobretudo», acrescentou, «na defesa da Revolução Bolivariana, da Venezuela, para impedir que os Estados Unidos expandam seu poder militar e sua falácia ideológica sobre as terras da América Latina e do Caribe».
 
Trata-se, enfatizou, «de uma rede de redes de comunicação, crítica e soberana«. Falando em terras de Bolívar, o presidente Díaz-Canel afirmou que Cuba estará sempre ao lado da Revolução Bolivariana, sempre abraçando essa nação irmã, em defesa de uma causa comum.
 
IDEIAS E EMOÇÕES NA SALA CHE GUEVARA
 
O presidente da Casa das Américas, Abel Prieto Jiménez, observou que nesta quinta-feira, 16, houve fundadores desta ferramenta emancipatória.
Abel argumentou que o mundo de hoje é tão perigoso quanto aquele em que a internet surgiu. Então, disse, «a invasão do Iraque foi anunciada, e nesta ferramenta de nós para a humanidade residia o melhor do pensamento anti-hegemônico».
 
«A iniciativa de pensamento crítico», lembrou, «nasceu com dois propósitos: mobilizar a opinião pública internacional e gerar perspectivas que desmantelassem campanhas inimigas».
 
Abel Prieto também refletiu sobre como transmitir mensagens de forma autêntica e orgânica; sobre como os chefes imperiais violam todas as leis internacionais; e sobre o novo fascismo.
 
«Não se limitem ao campo da cultura artística, mas busquem apoio em profissionais altamente respeitados; que todos contribuam para a urgência atual que a Venezuela e o mundo enfrentam». O prestigioso intelectual refletiu sobre essas ideias, e suas palavras deram lugar às de outros pensadores.
 
O escritor e comunicador venezuelano Miguel Pérez Pirela afirmou que «estamos vivendo tempos muito delicados». Denunciou que uma ameaça militar excessiva paira sobre o Caribe; 1.200 mísseis e outras forças sinistras teriam transformado a área em uma zona de guerra.
 
Comentou sobre como o genocídio está sendo transmitido ao vivo hoje: O que Netanyahu está fazendo em Gaza, Trump agora está fazendo no Caribe, como se fosse um videogame.
 
«O ataque é diretamente contra a humanidade», disse o jornalista. Por isso, enfatizou, «diante da barbárie, devemos responder com ideias, beleza e solidariedade».
 
Por meio de Pirela, o presidente Nicolás Maduro transmitiu uma mensagem ao seu irmão Díaz-Canel e a todos os participantes dos eventos da Rede. O dignitário transmitiu sua convicção de que, com o povo de Bolívar, jamais conseguirão. E Pirela acrescentou: «Cuba e Venezuela têm um destino comum: vencer».
 
A memória de Randy Alonso Falcón — jornalista cubano e diretor-geral da Ideas Multimedios — evoca momentos do nascimento da internet. Por isso, falou das horas em que a ALCA morreu; daquela vitória dos povos e dos líderes dignos da América Latina. Ele não negligenciou o valor da unidade, nem a necessidade de a internet não ser composta por elites, mas por jornalistas, veículos de comunicação e todos os profissionais capazes e comprometidos.
 
Várias vozes aludiram à resistência tecnológica; à batalha pela verdade; ao épico, à estética e à ética revolucionárias como armas urgentes.
 
O historiador cubano Elier Ramírez Cañedo enfatizou que «no final, todos sabemos que o jogo se decide na praxe revolucionária». Por isso, ele nos pediu para ver a história não «como um amuleto do passado», mas como uma arma para impulsionar o presente.
 
«O que fazer?», perguntou. Propôs a ideia de uma espécie de «arquivo dos crimes do imperialismo, do fascismo ao longo da história da humanidade». Esse arquivo da descolonização — enfatizou — passaria à ofensiva.
 
OUTRA UNIVERSIDADE
 
«Este é um momento de regressão no processo civilizatório», alertou o filósofo e escritor mexicano Fernando Buen Abad. Para ele, a guerra contra o império não é uma guerra que começou recentemente, mas sim uma luta de longa data que exige autocrítica sobre os espaços conquistados ou perdidos pela esquerda.
 
«Há uma necessidade urgente de uma universidade em defesa da humanidade», e falou sobre a necessidade de reorganizar o pensamento e o vocabulário. Aludiu aos laboratórios de semiótica, ao combate; à urgência de «chegar ao cerne da batalha que é a disputa pelo significado».
 
Essa Universidade, argumentou, «é sobre nos reeducarmos para essa batalha da comunicação». Disse que ela não se parece com o que eles — os imperialistas — querem que ela se pareça: ele falou de «outra Universidade».
 
O pensador cubano Omar González enfatizou o valor da expansão da Rede e comentou sobre «quão importante seria incorporar os homens e mulheres da ciência do nosso país» e atletas.
 
«A grande batalha pode e deve ser travada por meio da cultura, trabalhando com as subjetividades», afirmou a pensadora e ativista social cubana Mariela Castro Espín: «Os processos culturais alcançam transformações poderosas», acrescentando que devemos investir fortemente na espiritualidade.
 
Para essa luta — como disse a jornalista cubana Rosa Miriam Elizalde — «é muito difícil intervir sem o uso da ciência e da ética». Devemos começar, enfatizou, «estudando as redes, para alcançar uma rede visível, poderosa, compartilhada e real».
 
«É preciso sentir a batalha na alma», disse a jornalista argentina Graciela Ramírez, radicada na Ilha maior das Antilhas: «A Internet é a expressão mais genuína, o maior capital com que podemos contar da esquerda», disse.
 
Graciela compartilhou o poder do otimismo: «contamos com firmeza, com nosso povo, com nossos líderes e com os livros. O caminho da cultura, que liberta e dá sentido à vida, surgiu como o único caminho possível».