O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz fez esta declaração na quinta-feira, 22 de janeiro, durante a continuação das reuniões extraordinárias dos conselhos provinciais de governo em Ciego de Ávila e Sancti Spíritus
lgumas atividades, como a pesca, podem alcançar mais com maior integração das partes interessadas e práticas de contratação mais objetivas. Photo: Pastor Batista
CIEGO DE ÁVILA.– «O município deve deixar de ser um elo passivo e tornar-se protagonista do seu próprio desenvolvimento», assegurou o primeiro-ministro da República, Manuel Marrero Cruz, ao resumir a reunião extraordinária do Conselho de Governo Provincial realizada nesta quinta-feira, 22 de janeiro, no território de Ciego de Ávila.
O chefe de governo cubano foi claro ao definir que os municípios constituem o campo de batalha para enfrentar os principais problemas que afligem a população atualmente.
«É aí que as pessoas sentem as mudanças». Por isso, seu apelo foi para que se deixasse de lado a retórica e se concentrassem em ações concretas. «O caminho mais seguro para a sustentabilidade é aquilo que cada município pode contribuir, com seus próprios recursos, por meio de um esforço coletivo. Não se trata de seguir uma linha de pensamento ilusório, mas de estabelecer um plano de trabalho intensivo exatamente onde estão as forças produtivas», esclareceu.
Marrero Cruz alertou que a complexa situação que enfrentamos hoje, como consequência do endurecimento do bloqueio e das políticas cada vez mais hostis do governo dos Estados Unidos, não admite meio-termo. Ambos os fatores impuseram uma dolorosa realidade: «praticamente uma economia de guerra. E uma economia de guerra exige transformações profundas, uma mudança radical de mentalidade», afirmou. .
«Estamos agindo como se tudo estivesse normal», disse, apontando uma contradição que precisa ser resolvida com urgência.
Nesse contexto, a análise do primeiro-ministro focou-se particularmente no potencial de Ciego de Ávila.
Em uma conversa franca, Marrero destacou o papel estratégico desta província na produção de alimentos. Com quase 35.000 hectares dedicados a raízes, hortaliças, cereais e árvores frutíferas somente no setor agrícola, suas terras são um bastião para a segurança alimentar dos moradores de Ciego de Ávila e de outras regiões.
Nesse sentido, a intervenção do ministro da Agricultura, Ydael Pérez Brito, destacou a importância estratégica da província na luta pela segurança alimentar nacional.
Enfatizou que sua localização geográfica, quase no centro do país, constitui uma importante vantagem logística para a distribuição de alimentos. No entanto, ressaltou que seu verdadeiro valor no setor reside na combinação tangível da disponibilidade de terras e da qualificação de sua força de trabalho.
O representante oficial enfatizou que os quase 35.000 hectares de cultivos diversificados representam uma demonstração do profundo conhecimento e dedicação dos agricultores que dominam a arte da produção. Essa convergência de fatores — localização, recursos fundiários e capital humano — faz de Ciego de Ávila um pilar essencial, partindo do princípio de que o desenvolvimento endógeno é a base mais segura para a sustentabilidade do país.
Para Cuba, foi declarado, 2026 se configura como um ano de momentos decisivos. «Será difícil», reconheceu o primeiro-ministro, mas acima de tudo, será o ano de «fortalecimento da aplicação de regulamentos e políticas» para finalmente se libertar das amarras que prendem o território. «Se quisermos avançar, temos que fazer as coisas de forma diferente e não ter medo da mudança».
O governador Alfredo Menéndez Pérez adotou um tom rigoroso e autocrítico em seu relatório de prestação de contas. Longe de ser complacente, ele concentrou sua análise no que ainda precisa ser feito: a necessidade urgente de diversificar e aumentar as exportações, a busca por novos mercados, a redução de multas e o déficit orçamentário.
Entre as prioridades está também o abastecimento de água à população, com especial atenção às comunidades que enfrentam as situações mais complexas: Punta Alegre, Tamarindo, Florencia e a capital da província.
A intervenção de Ana María Mari Machado, vice-presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, trouxe uma dimensão jurídica e institucional fundamental ao debate sobre essas queixas. Em sua perspectiva, a intensificação dos processos municipais exige não apenas vontade política, mas também um marco regulatório ágil e facilitador que responda às necessidades urgentes dos territórios.
Ela enfatizou o papel dos governos locais na implementação das leis e políticas nacionais, salientando que a eficácia da gestão é medida precisamente pela capacidade de traduzir esse quadro legal em soluções concretas que a população possa experienciar.
O POTENCIAL É O ALGO MAIS QUE O PAÍS PRECISA
Se o plano econômico idealizado pelo povo de Sancti Spíritus tivesse se baseado na exploração inquestionável de todo o potencial do território, o Conselho Administrativo – presidido por Manuel Marrero Cruz – poderia ter sido não apenas mais curto, mas também menos profundo em suas considerações e perspectivas sobre a continuidade do enfrentamento das adversidades e da escassez.
A observação inicial de Marrero Cruz imediatamente suscitou reflexões sobre tais reservas, a respeito de se o crescimento proposto pela província em diversas atividades ou indicadores está acima do plano mencionado ou se refere apenas ao ano de 2025.
Isso possibilitou compreender que, de fato, o crescimento em comparação com a etapa anterior nem sempre indica o potencial de alcance.
Portanto, defendeu o aprimoramento contínuo de um plano que permanece aberto, a fim de alcançar resultados superiores para a economia nacional e satisfazer as necessidades básicas da família.
Exemplos como a pesca surgiram como evidência dessa viabilidade, que, embora não ceda à hostilidade, pode alcançar mais com maior integração dos atores e contratos mais objetivos.
Apesar da seca, o programa de cultivo de arroz não desiste, e aos 11.000 hectares que serão plantados no centro localizado em La Sierpe, váo se juntar outros 6.200 hectares através de esforços populares nos demais municípios.
Em resumo, ficou claro que nem todas as possibilidades produtivas estão sendo utilizadas para gerar divisas ou para exportar itens que vão desde carvão, frutas, alimentos, briquetes e plantas medicinais até a viabilidade de colocar cebolas no mercado internacional.
A mesma abordagem distinguiu as avaliações relativas à utilização de tração animal, moinhos de vento, biodigestores e outras alternativas que se mostraram úteis há décadas, mas que são oportunas no contexto atual, em prol da mudança da matriz energética e da produção alimentar.
Casos como o da empresa de carne ou o do município de Fomento mostram que almejar mais não é uma utopia. Anos atrás, eles precisavam buscar produção em outros lugares, e hoje contribuem para outras regiões.
BÚSSOLA PARA AÇÃO
A análise do Programa Governamental para corrigir distorções e revitalizar a economia gerou um interesse significativo, descrito por Marrero como uma bússola a orientar e um fio condutor para o avanço dos trabalhos.
Nesse sentido, concordo com o ponto de vista expresso por Ana María Mari Machado, no que diz respeito ao impacto de objetivos como os relacionados à produção de alimentos e à necessidade de fortalecer o apoio a pessoas e famílias vulneráveis.
O progresso nesta área não deve ser um impedimento para um território que pode fazer muito mais para continuar incorporando municípios superavitários (tem três, e a totalidade deles reduz o déficit), um empreendimento considerado estratégico pela cúpula do Partido e pelo próprio Governo.
AGORA, À PREFEITURA, COM TUDO!
«Agora vamos às municipalidades» – explicou Marrero Cruz, aludindo a reuniões semelhantes que deverão contribuir ainda mais, pois é lá que «o potencial reside e onde se concentram as principais preocupações da população».
Ele então pediu que se aproveitasse ao máximo as avaliações anuais, desde a base até os ministérios, colocando toda a capacidade e inteligência em ação para um ano de transformações mais profundas e sólidas, sem temer a mudança, identificando os obstáculos objetivos e subjetivos que dificultam o progresso tanto na esfera estatal quanto na não-estatal, e «não usando o bloqueio imperial como desculpa em assuntos sob nossa responsabilidade»,
Após analisar a estabilidade do programa de saúde materno-infantil da província, afirmou que o mais seguro a se levar para os lares é aquilo que o país é capaz de produzir em cada localidade, sem diminuir a importância das alternativas de investimento estrangeiro nos níveis provincial e municipal.
Por fim, Marrero recordou a lição que a determinação histórica de Fidel deixa nas circunstâncias atuais, quando, na véspera do desembarque do iate Granma, afirmou: «Se eu sair, chego; se eu chegar, entro; e se eu entrar, triunfo».
Esse é um projeto que proporciona soberania tecnológica, uma vez que, em caso de obsolescência, quebra ou bloqueio, soluções rápidas podem ser fornecidas, pois se trata de uma interface desenvolvida no país