ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Impedir a utilização do território nacional e das suas águas jurisdicionais para o tráfico ilícito é um objetivo estratégico do Estado. Photo: Juvenal Balán
Cuba reafirmou na terça-feira, 17 de fevereiro, sua política de tolerância zero contra o tráfico ilícito de drogas, apresentando os resultados da ampla luta realizada durante 2025, período em que 1.941 quilos de narcóticos foram apreendidos em desembarques marítimos.
 
Em entrevista coletiva, a titular do ministério da Justiça, Rosabel Gamón Verde, afirmou que o país não é produtor, centro de armazenamento ou território de trânsito para terceiros, embora enfrente riscos objetivos decorrentes de sua localização geográfica no Caribe, região impactada por rotas internacionais de narcotráfico.
 
A ministra destacou que o Estado cubano mantém uma firme vontade política de abordar esse fenômeno como uma questão de segurança nacional, com uma abordagem abrangente que equilibra prevenção, controle e enfrentamento, em conformidade com os compromissos internacionais assinados pela nação.
 
Rosabel explicou que, após a aprovação da Constituição de 2019, os regulamentos penais e administrativos foram atualizados para reforçar o rigor contra crimes relacionados a drogas, em consonância com a política de tolerância zero do Estado.
 
A Comissão Nacional de Drogas, composta por 13 órgãos e ampliada em 2025 com a incorporação permanente dos ministérios da Agricultura, Cultura, Turismo e Trabalho e Previdência Social, consolidou o trabalho preventivo por meio de ações sistemáticas em centros educacionais, de trabalho, de produção e comunidades.
 
As ações incluem campanhas de comunicação, programas de reabilitação e reintegração social, bem como a preparação técnica de forças especializadas e a aplicação da ciência e da tecnologia para a detecção de novas substâncias.
 
RECALOS: PRINCIPAL FONTE DE IMPACTO
 
O coronel Juan Carlos Poey Guerra, chefe da Unidade Especializada de Combate às Drogas, do ministério do Interior (Minint), explicou que em 2025 ocorreram 53 desembarques de drogas, que possibilitaram a apreensão de maconha, cocaína e haxixe.
 
Poey Guerra explicou que esses eventos ocorrem, fundamentalmente, como resultado de drogas lançadas ao mar por traficantes para escapar da perseguição em águas internacionais, o que faz com que as drogas cheguem posteriormente à costa cubana.
 
Observou que o maior impacto das drogas em nosso país se dá pelo canal marítimo, seja através de mercados ou de incursões de lanchas rápidas que podem transportar grandes volumes.
 
No âmbito nacional, destacou que foram apreendidos aproximadamente 76 quilos de drogas destinadas ao mercado ilícito, sendo a droga química sintética a mais utilizada.
 
O coronel Poey Guerra observou que o laboratório especializado do ministério identificou 46 tipos de canabinoides sintéticos no país, em um contexto internacional caracterizado pela expansão e diversificação de drogas sintéticas e opioides sintéticos.
 
Acrescentou que, no ano passado, 31 operações aéreas foram frustradas, resultando na apreensão de 27 quilos de drogas, principalmente cocaína, canabinoides sintéticos e metanfetamina, provenientes de aproximadamente 11 países, sendo os Estados Unidos a principal fonte; e que, entre 2024 e 2025, 75 dessas operações foram frustradas, resultando na apreensão de mais de cem quilos de drogas.
 
PROTEÇÃO DE FRONTEIRAS E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
 
O primeiro-coronel Ivey Daniel Carvallo Pérez, chefe de gabinete da diretoria das Tropas da Guarda da Fronteira, do ministério do Interior, destacou que Cuba possui mais de 5.700 quilômetros de litoral e uma geografia marítima complexa, o que exige um sistema permanente de vigilância com forças de reconhecimento naval, terrestre e aérea.
 
Enfatizou que o combate está sendo realizado de forma coordenada entre o ministério do Interior, as Forças Armadas Revolucionárias (FARs), a Alfândega Geral da República e outros órgãos, com participação ativa da população, que tem sido decisiva na detecção e entrega das drogas que chegaram às costas da Ilha.
 
Comentou que a participação popular é um elemento essencial do sistema de confronto, e a conscientização dos cidadãos é crucial para impedir que as drogas penetrem no interior do território.
 
Carvallo Pérez destacou que o país mantém intercâmbio de informações com 37 pontos de contato internacionais e com países da região, incluindo Jamaica, México e Estados Unidos; além de participar de mecanismos multilaterais de cooperação contra o narcotráfico.
 
O primeiro-coronel lembrou que o país tem suportado esse confronto sob condições de bloqueio econômico e financeiro, e atualmente também de bloqueio do petróleo, assegurando que, apesar das limitações materiais, continuarão aperfeiçoando os métodos, a disciplina e o preparo técnico.
 
«Continuaremos cumprindo nosso dever, porque impedir que o território nacional e suas águas jurisdicionais sejam usados ​​para o tráfico ilícito é um objetivo estratégico do Estado», afirmou.
 
DIÁLOGO SOBRE O PRINCÍPIO DA SOBERANIA E DO RESPEITO MÚTUOS
 
Além disso, o coronel Poey Guerra reiterou sua disposição de continuar colaborando com o governo dos Estados Unidos na luta contra os narcóticos, sob os princípios da soberania e do respeito mútuo.
 
Insistiu que o cerne da estratégia cubana contra o narcotráfico deriva de um objetivo básico e definido: impedir que o território nacional e suas águas territoriais sejam usados ​​para o tráfico de drogas para países terceiros.
 
Enfatizou que o tráfico de drogas é um fenômeno transnacional que não pode ser combatido por um único país ou por uma única instituição dentro de um país; daí a disposição de Cuba em manter a cooperação operacional e técnica com as nações correspondentes.
 
Afirmou que, sob a atual administração, as trocas com os EUA foram reduzidas a mensagens operacionais entre as tropas da Guarda da Fronteira e a Guarda Costeira dos EUA, e reiterou que Cuba mantém uma disposição baseada em princípios para cooperar, desde que isso não envolva condições políticas ou afete a soberania nacional.
 
O coronel também enfatizou o papel que Cuba desempenha «como um baluarte no mar» para impedir que carregamentos de drogas cheguem aos Estados Unidos.
 
«Demonstramos que a segurança do povo e a proteção de nossas fronteiras não dependem da subordinação a qualquer outro país ou agenda estrangeira, mas sim da vontade política do país e de uma profunda articulação com nossas instituições e com o povo», reafirmou a ministra da Justiça.