Seis décadas de Granma Internacional, uma voz que transcende o tempo e a geografia
Desde as suas origens ligadas à Conferência Tricontinental até à sua presença na era digital, esta publicação semanal tem sido uma voz comprometida com a Revolução e com as causas justas do povo. Neste dia 20 de fevereiro, celebra o seu 60.º aniversário
Fidel durante um discurso na Conferência Tricontinental.Photo: Arquivo do Granma
Uma foto histórica da redação do GranmaInternacional resume a essência desta publicação semanal. Nela, a equipe posa sorrindo em frente a um imenso mapa-múndi. «Nosso trabalho chega ao mundo», diz uma placa no topo.
A Internet e as redes sociais ainda estavam a décadas de distância. No entanto, grande parte do mundo já conhecia Cuba e sua Revolução graças ao coletivo que, mantendo-se discreto e aparentemente calmo, carregava a imensa responsabilidade de amplificar a mensagem da ilha e de seu povo.
Folhear os arquivos de uma publicação pioneira em Cuba em muitos aspectos é revisitar momentos decisivos da história nacional e mundial. Isso não surpreende: o GranmaInternacional sempre se manteve fiel às raízes que lhe deram origem.
Em janeiro de 1966, realizou-se em Havana a Primeira Conferência de Solidariedade dos Povos da Ásia, África e América Latina, conhecida como Conferência Tricontinental. Apenas quatro meses antes, em outubro de 1965, Fidel Castro havia anunciado a criação do jornal Granma, órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.
A capital cubana sediou a Conferência Tricontinental, e o Granma esteve presente com uma edição especial em espanhol, inglês e francês, destinada aos participantes: membros de organizações políticas e sociais convocados para esse encontro dos povos.
«Levando em consideração as opiniões favoráveis reunidas sobre a utilidade dessas edições, consideramos que seria benéfico, com o objetivo de divulgar fora do nosso país a realidade da Revolução Cubana, publicar um resumo semanal em espanhol, inglês e francês contendo as informações e reportagens mais relevantes que apareceram no jornal Granma durante a semana anterior».
Essas palavras, localizadas na área central da capa da primeira edição do Resumo Semanal do Granma, marcaram o nascimento da publicação e definiram seu propósito fundamental.
Era 20 de fevereiro de 1966. A nova proa começou a navegar pelos mares rumo a outros destinos: alguns simbólicos e muitos literais.
Ao longo dessas seis décadas, há inúmeros nomes essenciais; entre eles, Alberto Rubiera, o primeiro diretor, e Gabriel Molina Franchossi, que também ocupou essa responsabilidade por vários anos.
Em seus primórdios, a revista semanal reproduzia uma seleção de artigos publicados no Granma. Posteriormente, desenvolveu sua própria linha editorial.
«O escopo desta publicação era diferente e, portanto, seu conteúdo também precisava ser diferente, o que foi alcançado posteriormente, quando as ideias da unidade da luta nos três continentes começaram a tomar forma e a influência de Fidel e Che Guevara África se fez presente», explicou Molina Franchossi em 2016.
Suas páginas davam espaço para material de outros veículos de comunicação, como JuventudRebelde e Bohemia, que ajudavam a amplificar a voz de Cuba por meio de seu sistema de imprensa. Esse caráter revolucionário também se estendia a projetos dentro da economia nacional: a partir de dezembro de 1977, o semanário passou a apresentar marcas, serviços e produtos cubanos em anúncios e mensagens promocionais.
Em 12 de fevereiro de 1984, começou a ser publicada a versão em português, e a década de 1990 testemunhou transformações significativas que se mantêm até hoje. Entre as mais importantes, destacam-se sem dúvida a mudança de nome para GranmaInternacional e a inclusão de outros idiomas, como o alemão e o italiano.
A partir de 1992, graças à solidariedade internacional, começaram a ser publicadas reimpressões em diferentes partes do mundo. Um ano depois, por ocasião do início da reimpressão da edição portuguesa no Brasil, Frei Betto declarou: «Com este semanário, temos Cuba como a própria fonte de informação. Agora os brasileiros têm a oportunidade de distinguir entre as informações das agências de notícias e jornais daqui e dos Estados Unidos, e o que lhes chega de Cuba».
Mantendo-se fiel à sua posição de pioneiro entre as publicações da imprensa cubana, o GranmaInternacional foi o primeiro a ter presença na internet, em 1996.
«A recepção foi, e não estou exagerando quando digo maravilhosa; logo tivemos milhões de impressões. A União dos Jornalistas de Cuba nos reconheceu como pioneiros com um diploma entregue por Fidel no congresso da organização ao então diretor do Granma, Frank Agüero», lembrou Molina Franchossi.
Houve muitos contextos diferentes, e em cada um deles a revista semanal manteve sua presença. Durante a pandemia de Covid-19, ela continuou circulando, por meio da reorganização dos horários de trabalho e dos canais de distribuição.
Atualmente, o GranmaInternacional circula em cerca de vinte países da Europa, Ásia e América Latina. É reimpresso na Alemanha, Argentina e Brasil. No âmbito nacional, é distribuído para entidades como ministérios, grupos empresariais e hotéis.
«Esperamos que este modesto esforço contribua para fortalecer os laços que unem o nosso povo aos povos de todo o mundo que lutam hoje por um futuro melhor», concluía a nota de capa daquela primeira edição de 20 de fevereiro de 1966.
Seis décadas depois, pode-se afirmar que, mais do que fortalecer laços, suas páginas multiplicaram um povo, sua Revolução e inúmeras causas. O GranmaInternacional demonstrou que a luta por um futuro melhor é possível e que esse caminho pode ser percorrido com uma voz forte e independente que transcendeu o tempo e a geografia
Figuras importantes como o escritor Gabriel García Márquez visitaram o local e conversaram com membros da equipe do Granma Internacional. Photo: Arquivo do Granma
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