ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Aproximadamente 500 pessoas de mais de 30 países compõem a Caravana que leva cerca de 20 toneladas de ajuda humanitária para a Ilha. Foto: Juvenal Balán

Nos Estados Unidos, foram arrecadados cerca de meio milhão de dólares destinados à compra de painéis solares e equipamentos relacionados, que seriam doados a hospitais cubanos. Embora a aquisição e o envio desses equipamentos para Cuba pudessem ter sido feitos diretamente, isso não foi possível devido às sanções impostas pelo embargo.

Isso foi relatado na quinta-feira, 18 de março, em diálogo com a imprensa, por Manolo De los Santos, líder do Fórum dos Povos e integrante da Caravana Nossa América para Cuba, que reúne cerca de 500 pessoas de mais de 30 países, representando forças populares, progressistas, revolucionárias, de esquerda e humanistas, e leva cerca de 20 toneladas de ajuda material para a ilha.

«Chegamos não apenas com um carregamento de ajuda, que é necessária — como alimentos, remédios para crianças com câncer, coisas que o bloqueio impede o governo cubano de comprar livremente — mas acredito que o mais importante que trazemos é o desejo de estar ao lado do povo neste momento tão complexo», afirmou, ciente de que «se virarmos as costas para Cuba, estaremos virando as costas para a humanidade».

Por sua vez, a eurodeputada italiana Ilaria Salis enfatizou que seu país «vota todos os anos na ONU a favor do levantamento do bloqueio contra esta nação que resiste ao imperialismo feroz. Portanto, estar aqui é também uma forma de reafirmar essa posição, que é a posição de seu povo».

Por outro lado, salientou que fazer parte do comboio não foi isento de chantagens e ameaças, como o cancelamento dos vistos norte-americanos de muitos. No entanto, sua decisão tem sido firme.

Esta é a primeira vez que a eurodeputada Emma Fourreau está em visita a Cuba. Ela afirmou que é tanto um dever quanto uma honra, pois a Revolução Cubana e a solidariedade são uma inspiração para o mundo. «Diante do imperialismo, a resposta é a amizade e a solidariedade», declarou.   

«As consequências de escolher um caminho diferente do do império têm sido evidentes nestes dias, tanto dentro como fora dos hospitais e de outras instituições sociais», afirmou o eurodeputado Marc Botenga. Devido à natureza criminosa do bloqueio, «o que está acontecendo agora em Cuba não se limita a Cuba. É algo muito mais profundo. Diz respeito aos próprios alicerces do mundo que queremos. Que tipo de ordem mundial desejamos?», questionou.

«Aceitamos uma ordem mundial que, basicamente, nos leva de volta aos tempos do colonialismo tradicional? É inaceitável porque dessa forma estaríamos destruindo a esperança de uma sociedade diferente. Cuba nos mostrou, em diferentes áreas, e a saúde é sem dúvida um dos melhores exemplos, que por meio de decisões políticas uma sociedade diferente pode ser criada», afirmou.

«O nome da Caravana», explicou David Adler, coordenador da Internacional Progressista e um dos organizadores desta iniciativa de solidariedade, «deve-se àquela obra fundamental de José Martí que nos lembra que esta região pertence ao seu povo, não ao império ianque».

Afirmou, ainda, que o objetivo da Nossa America em Cuba é também reafirmar a solidariedade internacional com a luta do país pela autodeterminação, o princípio mais sagrado do Direito Internacional.

«Somos dezenas e dezenas de delegados, mas representamos milhões de pessoas nesta caravana», alertou, «e também estamos aqui para forjar um front internacional de solidariedade com Cuba».

Nesse sentido, anunciou que uma pequena flotilha de três navios com mais ajuda humanitária para Cuba deverá chegar, e fez um apelo à participação nos eventos de 21 de março, que será celebrado como o Dia Internacional de Solidariedade com Cuba.