Seis décadas após a sincronização de sua primeira unidade geradora, a usina termoelétrica Antonio Maceo Grajales continua sendo fundamental para a região leste do país
«É um privilégio que nossa usina tenha chegado ao seu 60º ano de operação». Foto: Miguel Rubiera Justiz.
SANTIAGO DE CUBA.- Desde a década de 1990, a usina termoelétrica Antonio Maceo Grajales (CTE) opera com petróleo bruto nacional.
«Foi por ordem do Comandante-em-chefe que, naqueles anos em que estávamos por nossa conta, ele nos convidou a modernizar as unidades geradoras de 100 megawatts (MW), com ajuda francesa e conhecimento cubano», lembrou a engenheira Mayra McCalle Irsula, que trabalha nesta usina há mais de 35 anos.
Para este grupo de mais de mil trabalhadores, situações de contingência não são novidade; esta — imposta pelo governo dos EUA — «encaramos com ainda mais empenho, sem esperar por nada de fora quando também podemos gerar soluções aqui», disse ao Granma Internacional Jesús Aguilar Hernández, diretor-geral desta CTE, vital para a região Leste do país. Em fevereiro passado, a CTE celebrou «60 anos desde sua primeira sincronização com o Sistema Elétrico Nacional (SEN), criado pela Revolução, porque antes de 1959 o país não possuía grandes usinas termelétricas e era pouco eletrificado».
A este respeito, McCalle Irsula, especialista em Manutenção Industrial, explicou as principais medidas tomadas para garantir a geração ininterrupta de energia: «Reunimos os operadores, a equipe da cozinha, o pessoal de segurança e os técnicos em um único veículo; a equipe de manutenção está disponível 24 horas por dia para responder rapidamente a qualquer incidente». Na usina, também conhecida popularmente como “Renté”, o trabalho remoto e o teletrabalho são implementados, sempre que possível, para manter os demais serviços.
A GERAÇÃO NÃO PODE PARAR
A engenheira Mayra dedicou mais de 35 anos de sua vida à Renté. Foto: Daniela Castillo Verdecia.
A usina Antonio Maceo enfrenta o desafio de operar em um contexto de escassez de combustível. Seus funcionários optaram por uma estratégia de resistência criativa, com seus armazéns abastecidos com poucas peças de reposição e importações congeladas. «O objetivo não é apenas operar, mas criar o máximo possível, porque nosso principal combustível é a engenhosidade», afirmou Aguilar Hernández.
Embora o decurso do tempo tenha impossibilitado à usina gerar os 500 MW instalados para o Sistema Interligado Nacional (SEN), com os blocos 3, 5 e 6 — em plena capacidade — é possível fornecer 285 MW. «Reparamos as bombas de circulação do quinto gerador e, por sua vez, realizamos uma intervenção maior no sexto gerador, especificamente na turbina e nas caldeiras, para integrá-las em março», assegurou o diretor-geral.
Se a gestão define a estratégia, as oficinas são onde a engenhosidade se torna tangível. Eduardo Morales García, chefe da oficina de Usinagem e prestes a receber a medalha por 40 anos de serviço, descreve a luta diária contra a escassez: «Estamos fabricando eixos para as bombas de água do mar do quinto bloco, uma peça que costumava vir da Rússia, mas nos deram a tarefa de fabricá-la aqui».
Seu depoimento retrata a realidade atual da indústria. «Quando surge um trabalho, temos que fabricar quase tudo nós mesmos: a lâmina que vamos usar para cortar, a barra, o material, até mesmo a serra para cortar os canos», um processo sustentado pelo poderoso movimento de inovadores e racionalizadores.
Respeitando os projetos, a estação de abastecimento de água para a caldeira foi modificada, primeiro no sexto gerador e depois nos demais, reduzindo o tempo de inatividade inesperado devido a falhas e permitindo o controle eficiente de parâmetros como regulação e nível da cúpula. Um sistema de água desmineralizada foi concebido para os blocos de 100 MW.
Para Morales García, a Renté é mais do que apenas um local de trabalho. «Dediquei minha vida a este lugar. Todos os funcionários da oficina estão sempre dispostos a vir e fazer seu trabalho, não importa o dia ou a hora. Não temos todos os recursos, mas sempre temos uma ideia, uma solução».
A falta de combustível não apenas paralisa as máquinas, como também interrompe o transporte, interfere nos turnos e põe em risco as operações. No blocos 5 e 6, o trabalho assume proporções monumentais. Lá, Ángel Fabars Borlot, gerente eletromecânico da Empresa de Manutenção da Usina Termoelétrica (EMCE), supervisiona os trabalhos em um ambiente onde qualquer erro pode ser catastrófico.
«O sexto bloco está programado para reparos extensivos, e no quinto bloco tivemos que lidar com uma
A precisão é fundamental em todas as etapas de montagem e manutenção. Foto: Daniela Castillo Verdecia.
falha nas vedações de hidrogênio do gerador. São tarefas extremamente complexas porque são máquinas enormes. A menor peça pesa toneladas e as folgas são medidas em milímetros», explicou o especialista.
A falta de pessoal, devido a problemas de transporte, atrasa os processos. «Selecionamos os melhores, os mais dedicados e experientes. A resposta é mais lenta porque não temos o número necessário de pessoas, mas aqueles que estão aqui fazem um excelente trabalho», assegurou.
UMA TAREFA DIÁRIA
Ao lado das bombas de circulação, Maximiliano Guisande Agüero, chefe de Equipes Dinâmicas, com 56 anos de trabalho na Renté, liderou a etapa final para colocar em funcionamento o quinto gerador.
«Conhecemos as dificuldades energéticas do país, o que estamos atravessando, e é por isso que dedicamos todo o esforço e tempo necessários para colocar os equipamentos de volta em funcionamento o mais rápido possível. Mesmo uma única unidade fora de serviço torna a máquina menos eficiente. Daí a importância do nosso trabalho», afirmou.
Sua equipe promove a chegada e a permanência de jovens por meio de convênios de trabalho com o Instituto Pré-Universitário de Ciências Exatas, os institutos politécnicos e a Universidade do Oriente, envolvendo os alunos na produção a partir de seus estágios e treinamentos, bem como em seu desenvolvimento profissional.
O gerente-geral acrescentou que «é um privilégio que nossa usina tenha chegado ao seu 60º ano de operação. Representa um desafio que nos foi deixado pelas gerações anteriores e que devemos passar para as futuras. Requer muito trabalho e dedicação. Mais do que o equipamento, o que a sustenta é a qualidade de sua força de trabalho».
Esse é um projeto que proporciona soberania tecnológica, uma vez que, em caso de obsolescência, quebra ou bloqueio, soluções rápidas podem ser fornecidas, pois se trata de uma interface desenvolvida no país