ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
 
Photo: Estúdios Revolución
Projetos de ciência e inovação relacionados a fontes de energia renováveis ​​e que têm como fim o aproveitamento de recursos e tecnologias disponíveis foram apresentados na tarde de terça-feira, 14 de abril,  em uma reunião entre o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, e especialistas e cientistas em temas relacionados à transição energética.
 
Iniciativas capazes de fornecer soluções eficientes em curto prazo, como a produção de calor, são alguns dos resultados do trabalho em parceria do ministério de Energia e Minas (Minem) e do ministério do Ensino Superior (MES), com base no trabalho do Grupo Nacional de Universidades para Fontes de Energia Renovável e Eficiência Energética (Gnufre).
 
Surgido em 2019 com o envolvimento de sete universidades, o Gnufre foi uma resposta à aprovação, em 2014, da Política para o desenvolvimento prospectivo de Fontes Renováveis ​​e o uso eficiente de energia até 2030, precedida pela criação da Comissão Governamental para o desenvolvimento das fontes de energias renováveis (FREs) e pelo edital que foi então lançado às universidades de Sancti Spíritus, Villa Clara, Havana e o Instituto Politécnico José Antonio Echevarría (CUJAE), às quais se juntaram posteriormente as universidades de Oriente, Cienfuegos e Matanzas.
 
Atualmente, o Gnufre abrange todas as instituições do Ensino Superior com alguma capacidade de utilização de energia, participa no apoio ao processo de consulta alargado e na apresentação da minuta da Lei da Transição Energética e regulamentos complementares, e integra a liderança do projeto de transição energética no sistema de Ensino Superior, que inclui todas as universidades, entre outras ações destinadas a intensificar a participação nos diferentes programas de ciência e tecnologia.
 
O Projeto Martí, o primeiro projeto de produção de biometano para transporte, baseado em biodigestores de lagoas cobertas, foi apresentado no evento. Photo: Ricardo López Hevia
O intercâmbio foi moderado pelo vice-primeiro-ministro Eduardo Martínez Díaz e contou com a participação da vice-primeira-ministra Inés María Chapman Waugh, dos titulares do Minem, Vicente La O Levy; do MES, Walter Baluja García; e do ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Citma), Armando Rodríguez Batista, entre outras personalidades, incluindo diretores de universidades do país, que participaram em formato de videoconferência.
 
A CAMINHO DO BIOGÁS E DA BIOMASSA
 
Na reunião de terça-feira, 14, entre o presidente Díaz-Canel e especialistas e cientistas em questões de transição energética, foi apresentada uma proposta para finalizar e colocar em operação projetos revolucionários de biogás, replicáveis ​​no resto do país, com base no potencial oferecido por resíduos suínos, pecuários e industriais.
 
A apresentação foi feita pelo dr. Manuel Alejandro Rubio Rodríguez, coordenador do Gnufre e professor da Universidade Central Marta Abreu de Las Villas (UCLV), que inicialmente se referiu ao Projeto Martí, a primeira experiência de produção de biometano para transporte, baseada em biodigestores de lagoas cobertas.
 
Outras propostas incluíam o projeto de biogás de Managuaco, uma rede para uso doméstico desse combustível a partir de resíduos pecuários distribuídos com um biodigestor cubano; o projeto de demonstração La Pastora, um sistema de tratamento de resíduos convertido em um biodigestor híbrido cubano com membrana de borracha; e o projeto de recuperação do biodigestor da usina de açúcar Heriberto Duquesne.
 
O Projeto Martí, o primeiro projeto de produção de biometano para transporte, baseado em biodigestores de lagoas cobertas, foi apresentado no evento. Photo: Ricardo López Hevia
O especialista apresentou uma proposta para debate baseada na utilização da biomassa florestal (lascas e pellets de madeira) que inclui o desenvolvimento da cadeia de valor e do mercado de biocombustíveis sólidos, com prioridade para sua utilização em fornos, no preparo de alimentos, na produção de materiais de construção e na geração de vapor para processos industriais.
 
Com base no Atlas de Bioenergia disponível no país e na experiência com a utilização de queimadores de biomassa em fornos, como já ocorre em moinhos de arroz, está sendo realizado, entre outras ações, o trabalho de definição e desenvolvimento de uma norma que ofereça incentivos para estimular a participação de potenciais atores nessa cadeia de valor.  
 
O projeto Cana-de-Açúcar, que tenciona desenvolver e implementar um novo modelo tecnológico e de negócios para a indústria açucareira, atraiu atenção especial. Rubio explicou que se trata de uma proposta preliminar de modelo tecnológico para o setor, levando em consideração a experiência cubana e internacional.
 
O especialista argumentou que «a proposta é baseada no conceito de que uma indústria açucareira diferente pode gerar eletricidade básica, flexível e sustentável para a transição energética a partir do excedente de eletricidade.
 
Segundo Rubio, essa indústria pode ser autossuficiente em termos de combustível proveniente de biometano e álcool, além de fornecer combustível para o transporte motorizado não eletrificável; e também pode produzir parte da ração animal necessária para aumentar de forma autônoma a produção de carne no país.
 
Após um debate que durou cerca de uma hora, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, enfatizou a riqueza de «experiência e conhecimento bem fundamentado» existente; no entanto, insistiu que, para promover sua generalização, é necessária maior integração.
 
O chefe de Estado comentou que hoje as duas prioridades são a alimentação e a energia, e que ambas estão intimamente relacionadas – refletiu – pelo que apelou aos participantes neste projeto conjunto do ministério da Energia e Mineração (Minem) e do ministério do Ensino Superior (MES) para que tirem partido das fontes de energia renováveis ​​e integrem todas estas iniciativas no menor tempo possível.

Photo: Ricardo López Hevia