ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Do ponto de vista da materialidade social, a assinatura desempenha um papel tanto simbólico quanto prático. Photo: Juvenal Balán
A possibilidade de um ataque militar direto contra Cuba nunca foi mera hipótese teórica. Durante anos, essa contingência permaneceu latente, dependente dos interesses do poder real, os Estados Unidos. Cada governo, republicano ou democrata, assumiu diferentes graus de confronto.
 
Nos últimos anos, as posições mais agressivas, durante as administrações republicanas, evoluíram para um cenário tangível que hoje é encarado com crescente seriedade por analistas de inteligência e responsáveis ​​pela defesa nacional.
 
Diversos relatos jornalísticos vazaram informações de que o Pentágono está preparando planos para uma operação militar em Cuba, com o objetivo de derrubar o governo cubano, fato que consta na retórica de representantes da administração norte-americana.
 
Diante dessa escalada, Cuba respondeu. Entre as iniciativas mais significativas está o movimento popular «Minha Assinatura pela Pátria», convocado por organizações da sociedade civil cubana como uma demonstração inequívoca da determinação do povo em defender sua soberania.
 
Ao mesmo tempo, a doutrina militar da «Guerra de Todo o Povo», originalmente concebida por Fidel Castro há mais de quatro décadas, foi atualizada.
 
Sem dúvida, a superioridade militar do Pentágono contrasta fortemente com a economia cubana, sufocada por décadas de bloqueio econômico, intensificado por um embargo de petróleo que, desde janeiro de 2026, causa apagões diários e escassez de água potável, alimentos e suprimentos médicos.
 
Fidel, em sua análise das táticas dos EUA contra Cuba, alertou: «Parte da guerra subversiva, da guerra suja, é também guerra psicológica, e o imperialismo gostaria de ter todos os meios e todos os recursos à sua disposição».
 
A doutrina militar cubana da «Guerra de Todo o Povo» não surgiu do voluntarismo de um líder, mas de uma análise rigorosa das condições objetivas e subjetivas da Ilha. Foi concebida por Fidel no início da década de 1980, quando a possibilidade de agressão militar crescia exponencialmente.
 
Da mesma forma, a «Guerra de Todo o Povo» não busca confrontar uma invasão no sentido clássico, mas sim tornar o custo militar, econômico e humano de uma ocupação terrivelmente oneroso.
 
Nas palavras do próprio Fidel: significa que «para conquistar nosso território e ocupar nossa terra, as forças imperiais teriam que lutar contra milhões de pessoas e pagariam com centenas de milhares, até milhões, de vidas pela tentativa de conquistar nossa terra, de esmagar nossa Revolução».
 
Desde o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA, as autoridades cubanas restabeleceram um dia semanal de exercícios militares chamado Dia da Defesa, com exercícios de prontidão para combate territorial.
 
Na frente política, Fidel estabeleceu um princípio fundamental que continua regendo esses exercícios: «Em caso de agressão, todo cubano sabe o que deve fazer e é um Comandante-em-chefe», ideia acompanhada de um mandato cardinal: «nenhuma rendição, nenhuma capitulação, nenhuma derrota».
 
CONSTRUINDO UMA VONTADE COLETIVA
 
O movimento «Minha Assinatura pela Pátria», lançado por organizações da sociedade civil cubana, constitui uma inovação estratégica no campo da guerra assimétrica.
 
Não se trata simplesmente de uma campanha de abaixo-assinado, mas de um mecanismo para produzir uma subjetividade social revolucionária. Abrange jovens a partir dos 16 anos, em todos os locais de trabalho, bairros e comunidades.
 
Do ponto de vista da materialidade social, a assinatura desempenha um papel tanto simbólico quanto prático. Em nível simbólico, representa a adesão consciente e o compromisso público com a defesa da soberania, numa tradição que remonta às mobilizações em massa de 26 de outubro de 1959, quando Fidel proclamou: «Toda a nação, de pé, não teme nada».
 
Em termos práticos, constitui um mecanismo para articular a vontade popular.
 
A subjetividade social – expressa em movimentos como «Minha Assinatura pela Pátria» – não é um epifenômeno, mas um fator determinante: a disposição consciente do povo em resistir multiplica exponencialmente o poder defensivo real da nação.
 
Essa capacidade de resistência não deriva da superioridade material sobre os Estados Unidos, mas da superioridade moral e organizacional do povo organizado.
 
Como Fidel disse com propriedade apenas oito dias após o triunfo revolucionário de janeiro de 1959: «Quando ouço falar de colunas, de fronts de batalha, de tropas mais ou menos numerosas, sempre penso: eis a nossa coluna mais firme, a nossa melhor tropa, a única tropa capaz de vencer a guerra sozinha: essa tropa é o povo!».