Que esse conhecimento seja parte integrante do bem-estar, sem entraves
O primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, presidiu a reunião do Conselho Técnico Consultivo do Ministério da Agricultura na manhã da quinta-feira, 21 de maio
Photo: Estúdios Revolución
É prejudicial para a sociedade — e para a sua economia, que é o seu coração — ser ágil nos processos que transformam inteligência em bem-estar, desperdiçar tempo — que também é um recurso — devido a preconceitos ou entraves burocráticos. Poucas coisas são tão prejudiciais quanto a incapacidade de conectar rapidamente o conhecimento acumulado — uma das maiores forças de Cuba — com as necessidades mais prementes da vida.
Seguindo essa filosofia, o Conselho Técnico Consultivo do ministério da Agricultura (Minag) reuniu-se na manhã desta quinta-feira, 21 de maio, sob a presidência do Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez. A reunião ocorreu na sede do Grupo Empresarial de Logística (Gelma) da referida organização e contou com a presença de diretores de entidades ligadas ao desenvolvimento agrícola da Ilha.
Realizada na capital, e em um encontro que contou também com a presença do vice-primeiro-ministro Jorge Luis Tapia Fonseca, da Presidência, e do ministro da Agricultura, Ydael Pérez Brito, a reunião teve como foco a produção de milho e soja para ração animal; os serviços de extensão rural como ciência transformadora; e a análise da cadeia de valor da produção de milho e soja para ração animal.
Após os especialistas terem desenvolvido esses temas e após terem sido acrescentadas várias opiniões de centros ligados à pesquisa e ao desenvolvimento da atividade agrícola, o chefe de Estado quis destacar, em primeiro lugar, a importância do Conselho Técnico Consultivo no âmbito do Sistema de Governo baseado na Ciência e na Inovação.
Em suas observações iniciais, o dignitário afirmou que o Sistema de Governo, baseado na Ciência e Inovação, visa alcançar as interconexões necessárias «entre o setor do conhecimento, o setor produtivo de bens e serviços e a administração pública»; e tudo isso, disse ele, implementado em nível territorial, com toda a estrutura institucional e de governança necessárias, e integrando o processo de transformação digital em todos os setores, utilizando Inteligência Artificial, a fim de alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável.
Ao afirmar que essa interconexão é importante, o presidente cubano declarou que os Conselhos Técnicos Consultivos são fundamentais, pois são os especialistas que assessoram, pois são as pessoas que, dentro do campo do conhecimento, possuem as maiores capacidades, apoiando os processos de produção de bens e serviços, apoiando os níveis da administração pública, o que, segundo ele, «ajuda muito».
O presidente enfatizou a importância de aproveitar tudo o que resulta de cada Conselho Técnico e falou sobre a relevância de fornecer feedback, desde o nível de tomada de decisão até os especialistas que, em algum momento, sugeriram maneiras de fazer as coisas melhor.
Díaz-Canel referiu-se à necessidade de prestação de contas relativamente ao sucesso — ou à falta dele — das propostas apresentadas pelo Conselho, bem como à necessidade de solicitar novas linhas de investigação. Afirmou isto porque, no âmbito da estrutura produtiva, o setor do conhecimento deve ser aproveitado «em todo o seu potencial».
Em relação aos eventos de quinta-feira, 21, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba falou sobre «uma sessão de trabalho que demonstra respeito e disposição por parte da direção do ministério da Agricultura em apoiar verdadeiramente a Ciência e a Inovação», com base nos pontos levantados à organização pelo Conselho Nacional de Inovação quando o programa de produção de grãos foi apresentado.
Dentro desse programa – explicou a autoridade – a sessão de quinta-feira, 21, incluiu orientações sobre um programa voltado para a produção de grãos para ração animal: «O importante é que existem dois programas estratégicos», destacou Díaz-Canel, ressaltando também que a interconexão entre ambas as iniciativas não pode ser ignorada.
O chefe de Estado também falou sobre a indústria alimentar como peça fundamental da engrenagem que compõe a produção de alimentos; sobre a defesa das sementes nacionais – porque é aí que reside a boa experiência que Cuba tem com batatas – sobre desmistificar a ideia de que altas produtividades só são obtidas com fertilizantes químicos; e compartilhou com os presentes a perspectiva de que produzir os alimentos que o país demanda continua sendo um desafio no caminho.
Em relação à agroecologia, Díaz-Canel Bermúdez reconheceu que o campesinato, no congresso mais recente da Associação Nacional de Pequenos Agricultores (ANAP) e em outro encontro não muito tempo atrás, defendeu esse método. E com relação aos dois programas — o de grãos para consumo humano e o de produção animal — enfatizou que o objetivo é expandir, e não reduzir, uma área para fortalecer a outra.
«A melhor inovação que podemos fazer com todos esses programas é garantir que haja comida», comentou o chefe de Estado, que também afirmou que o melhor indicador de progresso nesse objetivo será a queda dos preços.
Díz-Canel alertou que, se os programas não forem acompanhados por um plano de negócios — que descreva como garantir o financiamento, como obter lucros e eficiência —, tudo permanecerá mera ilusão e não corresponderá ao potencial do programa.
«Dada a situação atual, a complexidade da questão alimentar no país e, especialmente, as condições atuais, há aspectos que serão projeções de médio e longo prazo; mas aqui devemos olhar para o curto prazo: há coisas que precisam ser mais operacionais com o que já temos, ampliando as boas experiências que já possuímos», expressou o presidente em outro momento.
O presidente cubano também abordou outros princípios vitais: a incorporação da transformação digital e da Inteligência Artificial nos programas, e a inclusão de uma variável tão importante quanto a transição energética. Sobre esta última, esclareceu que não se trata apenas de energia solar, mas também de biogás, energia eólica e biomassa.
O dignitário explicou que existe uma ideia fundamental para toda a economia nacional, que envolve uma abordagem da produção baseada no conhecimento. Nesse sentido, refletiu, é hora de esclarecer quanto poderia ter sido investido em ciência para atingir um determinado nível de produção, «porque também precisamos aprender a mensurar nossa economia como resultado do conhecimento».
Muitas ideias valiosas precederam o discurso do presidente: cada pequeno detalhe, cada etapa da produção, contribui para a formação do panorama geral da agricultura; a primeira parte de todo o processo tem a ver com a semente, tudo começa com ela; o potencial inovador cresceu no país e merece ser aproveitado; o verdadeiro processo de inovação consiste em alcançar todas as cadeias produtivas; vale a pena incorporar o conhecimento local; o grande desafio é levar todas as inovações para o campo; e não haverá batalha melhor vencida do que a de um produtor inspirado por qualquer sugestão científica.
Após o término da reunião no Gelma - local que celebrou seu 24º aniversário e cuja finalidade é garantir a logística para todo o sistema empresarial e todas as estruturas produtivas do setor agrícola - o chefe de Estado assistiu à inauguração de uma agência do Banco de Crédito y Comercio, pertencente a esta Organização Superior de Gestão Empresarial (OSDE).
Este espaço, «de amplo alcance», como disse o presidente do Gelma, Wilson Ramírez Peña, aos jornalistas, faz parte do processo bancário que beneficia as empresas da Organização, onde as operações serão mais rápidas e muito menos dispendiosas.
Esse é um projeto que proporciona soberania tecnológica, uma vez que, em caso de obsolescência, quebra ou bloqueio, soluções rápidas podem ser fornecidas, pois se trata de uma interface desenvolvida no país