ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Arquivo do Granma
Poucas pessoas têm o privilégio, a saúde, o estoicismo — e, se alguém quiser, pode acrescentar: a teimosia tipicamente cubana — de chegar aos 95 anos de vida. É, inegavelmente, uma bênção.
 
E não quaisquer 95 calendários. Nove décadas e meia com o pé firmemente plantado no estribo, as chamas sob os flancos do cavalo e erguendo o facão como Antonio Maceo, como Máximo Gómez.
 
Até uma criança em idade escolar sabe quem é Raúl: um homem que (não posso deixar de dizer) em todos os lugares públicos onde o vi, cara a cara com as pessoas, com o povo comum, geralmente acaba carregando crianças, conversando animadamente com elas, como fazia desde os tempos decisivos da serra Maestra (ainda existe uma foto dele agachado diante de uma camponesa contando uma história comovente), ou dando-lhes uma das canetas que sempre distribuía, como fez com a pequena Denisbel, em Guayabal, no litoral sul de Las Tunas, «para que você possa escrever uma carta para o vovô Fidel quando aprender a escrever».
 
Esse também foi Raúl, o homem sempre ao lado de Fidel e vice-versa, o jovem que, com maturidade adulta, assumiu todos os rigores e dificuldades da luta guerrilheira.
 
Não sei se alguém já se fez essa pergunta ou se alguém já pensou nisso, mas se houve um homem que se propôs a nunca falhar com o Comandante-em-chefe (porque isso teria sido falhar com toda Cuba, com a história, com Lina, com Ángel e consigo mesmo), esse homem foi e ainda é ele.
 
Foi por isso que enfrentou o ataque ao quartel Moncada de frente — e enfrentou, com tudo o que tinha! — o subsequente aprisionamento, o México, o espaço apertado daquele iate, compartilhado com outros 81 homens corajosos; os manguezais de Las Coloradas, Alegría de Pío, Cinco Palmas, o poderio inimigo nas profundezas das montanhas, aquele Segundo Front que Fidel colocou em suas mãos e que ele transformou em um território modelo, um prelúdio para o que estava por vir…
 
Sinceramente, desconheço em quantos países a população nutre tamanha admiração, respeito, carinho e identificação por figuras de alta patente no campo militar.
 
Só sei que – Raúl – as gerações passadas, presentes e futuras sempre se lembrarão dele como o querido ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FARs), ministro do Povo, com um espírito marcial e virtuosismo inatos, uma sensibilidade humana inquestionável, um humor autenticamente crioulo e um carisma capaz de resistir a bombardeios, como este último que o império desarmado e sem coração tentou infligir a ele, um império que constantemente perde o apoio no qual apenas aqueles que estão um pouco acima na hierarquia têm o suficiente para que um homem de verdade não tema nada, nunca abaixe a espada e nunca se deixe derrotar, podendo repousar em segurança.