ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Estúdios Revolución
O primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, defendeu nesta quinta-feira, 9 de julho, a autonomia das empresas cubanas, bem como a participação de seus trabalhadores na tomada de decisões, durante uma visita a diversas entidades produtivas ligadas aos ministérios da Indústria Alimentar e o da Agricultura.
 
O chefe de Estado visitou a fábrica de massas curtas La Pasiega, a empresa de importação e exportação Cítricos Caribe SA e a unidade básica de negócios Ronera Occidental, três importantes atores econômicos localizados em Havana. Em meio às duras restrições impostas pelo endurecimento do embargo dos EUA e, mais recentemente, pelo embargo do petróleo, essas empresas buscam alternativas para sobreviver e manter a produção.
 
Durante a visita — que também contou com a presença dos ministros da Indústria Alimentar e da Agricultura, Alberto López Díaz e Ydael Pérez Brito, respectivamente — o presidente enfatizou a necessidade de todo o sistema empresarial cubano aproveitar as oportunidades oferecidas pelas 176 transformações econômicas e sociais recentemente aprovadas para a recuperação do país, cujos regulamentos legais serão publicados em breve.
 
No diálogo com gestores e trabalhadores das três empresas, o presidente referiu-se à preparação prévia a esse momento — a publicação das normas legais —, para que as forças produtivas possam ser libertadas com agilidade, a autonomia empresarial possa ser assumida com responsabilidade, e não apenas no discurso, e a riqueza necessária para a distribuição equitativa no país possa ser gerada.
 
Citou exemplos como a descentralização de poderes para o sistema empresarial na aprovação de preços de atacado e varejo; a flexibilidade na aprovação e destinação dos lucros após impostos; a possibilidade de aprovar a tabela salarial nas empresas, de importar e exportar sem intermediários, bem como de gerenciar o combustível necessário.
 
Díaz-Canel enfatizou a responsabilidade social das empresas cubanas para com as comunidades onde atuam, em especial o apoio que devem oferecer aos seus trabalhadores aposentados, às populações vulneráveis ​​e aos jovens. Ressaltou que os lucros devem ser utilizados não apenas para aumentar os salários, mas também para auxiliar os trabalhadores com moradia, alimentação e outros incentivos que contribuam para a retenção da força de trabalho.
 
O presidente também enfatizou a importância da participação dos trabalhadores na tomada de decisões, de se sentirem parte integrante da empresa, desde a fase de planejamento até a distribuição dos lucros. Falou sobre o senso de pertencimento, o respeito pelos trabalhadores e a necessidade de o sistema empresarial passar por uma transição para uma nova era, por meio da implementação de transformações econômicas e sociais.
 
A visita de quinta-feira, 9, parte das visitas regulares do presidente a locais de trabalho, começou em La Pasiega, uma fábrica construída antes da Revolução. A fábrica mantém sua tecnologia por meio da inovação e atualmente opera com 80% da capacidade. Produz 10 toneladas de massa por dia, vendidas tanto em moeda estrangeira quanto em pesos cubanos, além de ser destinada à alimentação de crianças doentes. Atualmente, a fábrica está em processo de se tornar uma micro, pequena e média empresa (MPME) estatal para obter maior autonomia.
 
A agenda prosseguiu na Cítricos Caribe SA, empresa exportadora e importadora do grupo empresarial agropecuário, que traz ao país os insumos, produtos e suprimentos necessários para garantir a produção agrícola; e importa frutas frescas e processadas, além de carvão e mel. O presidente reconheceu a maturidade empresarial desse grupo, que detém o status de Vanguarda Nacional, e que está adaptando suas operações ao novo cenário criado pelas medidas recentemente aprovadas no país.
 
Por fim, foi realizada uma visita à Ronera Occidental, que produz, entre outras marcas, os runs Legendario, Herencia e Don Diego. A fábrica tem sido severamente afetada por cortes de energia, com mais de oito interrupções por dia. Para solucionar esse problema, estão instalando um sistema de energia renovável para se tornarem autossuficientes e manterem todo o fluxo de produção. Atualmente, possuem 150 quilowatts instalados e pretendem chegar a 300.