ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
No curso recentemente concluído em Cuba, 735 jovens de 62 países se formaram. Photo: Dunia Álvarez Palacios
Há momentos em que as ações falam mais alto que as palavras. E nestes dias que se seguem ao fim do ano letivo, tensos e difíceis como só esta nação sabe fazer — porque aqui nada é dado de graça e tudo se conquista com sacrifício e força de vontade —, as universidades cubanas ofereceram ao país e ao mundo uma colheita que merece ser contada e que constitui parte da resposta mais digna.
 
Como ousam chamar de terrorista um país que não invadiu ninguém, que não tem bases militares em nenhum continente, que não lançou uma única bomba sobre nenhuma população civil, que não derrubou nenhum presidente estrangeiro?
 
Como ousam colocar na mesma lista – a infame lista de países que supostamente patrocinam o terrorismo – uma nação cujo principal legado para o mundo não é a morte, mas a vida?
 
Porque Cuba, em vez de fabricar armas, forma médicos. Em vez de treinar soldados para a guerra, prepara profissionais para a paz. Em vez de fechar suas fronteiras, abre suas universidades para aqueles que vêm dos cantos mais aflitos do planeta. Em vez de semear ódio, semeia conhecimento.
 
E isso não é retórica. São fatos.
 
Ao final deste ano letivo, as universidades cubanas presentearam o país e o mundo com 30.185 novos profissionais. Engenheiros, arquitetos, educadores, cientistas, enfermeiros, tecnólogos… Jovens que se dedicaram aos estudos, que trabalharam com recursos limitados, que superaram o cansaço e as adversidades para se tornarem o que este país precisa para avançar.
 
Dentre esses 30.185, estão 735 jovens de 62 países. Estudantes vindos de todos os continentes — África, América Latina, Ásia, Europa — que compartilharam carteiras com cubanos, que aprenderam nossa língua, nossa medicina, nossa solidariedade, nossa maneira de entender a vida como serviço. Que retornam aos seus países de origem com um diploma e, também, com uma maneira de ver o mundo que não se ensina em nenhum manual.
 
E entre eles, dois números deveriam fazer até o mais cego refletir: 23 novos médicos palestinos.
 
Jovens que retornarão à sua terra natal — uma terra em chamas sob bombas e escombros — não com armas nas mãos, mas com estetoscópios ao redor do pescoço. Com o conhecimento para salvar vidas no lugar do mundo onde ele é mais necessário. Com a ética que a medicina cubana ensina: primeiro o ser humano, depois tudo o mais.
 
E cinco médicos noete-americanos. Poderiam ter sido mais, mas aquele país não permitiu que o número aumentasse devido à sua política insana contra Cuba.
 
Cidadãos nobres do país que mantém o bloqueio mais longo da história contra qualquer nação. Jovens que tiveram de superar barreiras, preconceitos e até sanções para vir estudar na Ilha que o próprio governo acusa. E que hoje retornam para exercer sua profissão, talvez com uma perspectiva diferente, talvez com a verdade em suas malas.
 
E chamam isso de terrorismo?
 
Formar médicos para a Palestina? Formar médicos para os Estados Unidos? Abrir nossas portas para 735 jovens de 62 países? Compartilhar o pouco que temos com o mundo?
 
Se isso for terrorismo, então a palavra não significa nada. Ou significa exatamente o oposto.
 
Porque o que Cuba está fazendo, discretamente, contra todas as expectativas, é o que todos os países deveriam estar fazendo: investir em educação, em saúde, em solidariedade. Não em mísseis. Não em bombas. Não em guerras. Não em bloqueios.
 
Cuba é um país íntegro. Não derruba governos nem sequestra pessoas. Não financia golpes de Estado. Não instala campos de tortura em outros países.
 
Sua história – a verdadeira, aquela que não é contada pela grande mídia – é diferente: a de um país que enviou centenas de milhares de profissionais de saúde aos lugares mais pobres e devastados do planeta; que acolheu crianças de Chernobyl para tratá-las; que ensinou milhões de pessoas ao redor do mundo a ler e escrever com seu método "Sim, eu posso"; que devolveu a visão a milhares de cidadãos por meio da Missão Milagre; e que formou dezenas de milhares de médicos de mais de cem nacionalidades em suas faculdades de medicina.
 
Essa é a verdadeira Cuba.
 
A outra, aquela sobre a lista de terroristas, aquela sobre o relatório falso em que nem mesmo seus autores acreditam, é uma construção nascida do ódio, uma mentira repetida à exaustão, uma infâmia que não resiste ao menor escrutínio. Porque se Cuba é um estado terrorista, então a solidariedade é um crime.
 
Cuba é um país de paz, um país que salva vidas, que educa. É um país que acolhe, que abraça. Que o mundo saiba disso e defenda essa verdade, para que a infâmia jamais tenha a última palavra.