Diante do bloqueio econômico contra Cuba, a solidariedade está despertando
Enquanto nas redes sociais há quem ecoe a campanha de ódio contra os delegados da 4ª Assembleia Continental da ALBA Movimentos, estes, em Cuba, nas ruas, onde realmente se faz necessário, superaram o bloqueio imperial e estenderam a mão ao povo cubano
Photo: Juvenal Balán
Por volta das dez horas da manhã de domingo, 9 de agosto, um grupo de delegados da 4ª Assembleia Continental da ALBA Movimentos visitou o Instituto Nacional de Oncologia e Radiobiologia (INOR), o hospital em Cuba onde são realizados os tratamentos mais complexos em pessoas com câncer
Eles trouxeram malas e bolsas transbordando de remédios, cremes, curativos e doces para as crianças. Uma doação que pode não parecer significativa, mas é, dada a escassez de recursos que assola a saúde pública, causada pelo bloqueio econômico e energético imposto pelos Estados Unidos, e pela qual médicos e enfermeiros são gratos devido ao impacto que isso tem em seus pacientes.
Em uma pequena sala de conferências, a vice-diretora do centro, Misleidiy Nápoles Morales, juntamente com um grupo de diretores e especialistas, reuniu-se com os doadores. Mais do que uma cerimônia formal, foi uma conversa, uma explicação sobre quem receberia a ajuda.
«O câncer é uma doença crônica que deteriora o paciente até levá-lo à morte. Por isso, na maioria das vezes, quando a doença é diagnosticada, o paciente a internaliza como uma sentença de morte», diz Nápoles Morales, e é possível ver, pelos rostos de quem a ouve, como seus peitos se apertam.
«Nosso trabalho aqui é ganhar tempo contra o câncer e tentar garantir a melhor qualidade de vida possível. Trinta anos podem parecer muito tempo para um adulto, e ainda mais para um idoso, mas para uma criança ou adolescente, é dar a eles a chance de viver».
«É por isso que nos dói mais do que a qualquer outra pessoa quando não temos recursos para trabalhar, quando temos que adiar cirurgias e tratamentos por falta de eletricidade, medicamentos ou peças de reposição para equipamentos médicos».
«Nossos pacientes sofrem por causa de interesses que às vezes eles nem entendem, e nós, trabalhadores, temos que lidar com isso dia após dia, e no fim sofremos junto com eles, porque nossa principal responsabilidade é salvar vidas, mesmo que as condições sejam as piores».
Uma venezuelana pediu a palavra, sem conseguir conter as lágrimas: «Em situações como esta, só consigo sentir solidariedade e raiva, porque os médicos cubanos salvaram milhares de vidas no meu país e em todo o mundo, e ver como o imperialismo cai com toda a sua força sobre vocês só pode despertar isso, solidariedade e raiva. Da minha parte, podem contar com ambas, sempre».
Um jovem colombiano tirou o boné antes de falar, como se o momento exigisse aquele pequeno gesto de respeito: «Muitas vítimas do paramilitarismo no meu país foram tratadas em Cuba, porque quando nossos governos as abandonaram, elas encontraram nesta pequena Ilha um refúgio para a dignidade humana. Vocês são a prova de que só o povo pode salvar o povo e que o amor se retribui com amor».
Uma jovem argentina, que exibe com orgulho uma tatuagem de Che Guevara no ombro, foi a última a falar: «Muitas pessoas nos disseram para não virmos a Cuba, que o país não era o mesmo, e aqui estamos nós».
Obrigado por serem o projeto de humanidade que sonhamos. De onde eu venho, crianças com câncer morrem porque os medicamentos que podem salvá-las estão nos estoques de clínicas particulares, acessíveis apenas para quem pode pagar. É por isso que é tão importante que vocês continuem a existir, como um projeto nacional».
As doações foram deixadas no escritório designado para serem guardadas em segurança antes de serem distribuídas aos mais necessitados. Antes do término da visita, um grupo de enfermeiras acompanhou os doadores até uma sala com três crianças para conversar com elas. A única instrução dada foi que, uma vez lá dentro, ninguém poderia chorar. Eles logo descobriram como seria difícil cumprir essa regra.
Os homens e mulheres que trabalham naquele hospital talvez não compreendam totalmente a importância do seu trabalho nas circunstâncias atuais, mas sempre com um sorriso no rosto que apaga qualquer vestígio de tristeza. Para quem observa de fora, eles são a última linha de resistência contra um genocídio silencioso imposto por fascistas de terno que pouco ou nada se importam com a vida.
OUTRO CENTRO QUE TREINA E SE IMPORTA
Pela manhã, outro grupo de delegados visitou o Abrigo para Crianças, Adolescentes e Jovens Víbora 2 e conversou com a diretora, Danay Sánchez Hernández: «Atualmente, temos oito crianças na instituição e nosso trabalho é prepará-las para a integração na sociedade, mas, acima de tudo, fazê-las se sentirem amadas e importantes».
As crianças compartilharam seus brinquedos com os visitantes e posaram para as câmeras dos jornalistas. Elas também demonstraram suas habilidades e conhecimentos por meio de atividades educativas conduzidas por especialistas. Risos e a curiosidade insaciável tão característica dessa idade eram abundantes.
Naquele pequeno terraço, foi colocada parte da tonelada de doações trazidas pelos delegados. Um presente preparado com muito amor, como disse Tica Moreno, a delegada do Brasil, aos presentes: «Ninguém vai interromper a solidariedade com o povo cubano; a ajuda continuará chegando», enfatizou.
«Não é segredo o quanto as instituições cubanas valorizam a proteção, o cuidado e a educação de nossas crianças. As sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos e o embargo de petróleo afetam diretamente o bem-estar de nossos menores», reconheceu Sánchez Hernández.
Enquanto nas redes sociais há quem ecoe a campanha de ódio contra os delegados da 4ª Assembleia Continental da ALBA Movimentos, estes, em Cuba, nas ruas, onde realmente se faz necessário, superaram o bloqueio imperial e estenderam a mão amiga ao povo cubano.
Esse é um projeto que proporciona soberania tecnológica, uma vez que, em caso de obsolescência, quebra ou bloqueio, soluções rápidas podem ser fornecidas, pois se trata de uma interface desenvolvida no país