ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Juvenal Balán
O primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, e o membro do Bureau Político e secretário de Organização, Roberto Morales Ojeda, participam do fórum da juventude «Eu Acredito em Você», no âmbito do 1º Colóquio Internacional «Fidel: legado e futuro». 
 
O fórum convocado pela União dos Jovens Comunistas (UJC) da Ilha constitui um espaço de diálogo e reflexão no qual jovens cubanos e membros de partidos comunistas e progressistas de todo o mundo reafirmaram sua disposição de liderar diante dos desafios atuais. 
 
Durante o encontro, Meyvis Estévez Echeverría, secretária-geral do Comitê Nacional da União dos Jovens Comunistas (UJC), denunciou o impacto do bloqueio genocida imposto pelos Estados Unidos, intensificado a níveis sem precedentes, que afeta diretamente as famílias cubanas. 
 
Como exemplo dessa realidade, apontou que 12 mil crianças aguardam intervenções cirúrgicas devido à escassez de suprimentos, 67 mil bebês não tiveram acesso ao sistema de imunização atualizado e 34 mil gestantes não possuem ultrassonografias pré-natais suficientes. 
 
Os jovens, abraçando a audácia do Comandante-em-chefe como uma qualidade inerente ao revolucionário, respondem firmemente «ao governo fascista dos Estados Unidos e dizemos em alto e bom som que não há absolutamente nenhuma possibilidade de entregarmos a pátria que Fidel nos legou», disse. 
 
Também expressou sua gratidão pela solidariedade internacional demonstrada, especialmente pelas organizações juvenis que entregaram medicamentos e prestaram apoio à Ilha. 
 
Enfatizou que os esforços da juventude estão focados em trabalhar incansavelmente, produzir riqueza de forma justa e preservar as conquistas do socialismo.
 
JOVENS EM DEBATE 
 
Em seu discurso no Fórum, o presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), Gonzalo López, afirmou que o imperialismo e seus aliados na União Europeia e na OTAN «recorrem a bloqueios, sanções, militarismo e guerra para impor seu domínio e esmagar a luta dos povos por liberdade, soberania, direitos, paz, cooperação e progresso social». 
Em sua declaração, enfatizou que essas práticas têm consequências concretas, visíveis no empobrecimento de amplos setores da população, especialmente os jovens, que enfrentam dificuldades de acesso a água potável, saneamento básico, alimentação, eletricidade, educação, saúde, moradia, cultura e esportes. «Para esmagar a luta dos povos, o imperialismo recorre a tudo, inclusive à sua expressão mais agressiva: o fascismo», afirmou. 
 
O líder jovem citou exemplos dessa realidade em várias regiões do mundo. No Oriente Médio, denunciou o sofrimento do povo palestino nas mãos de Israel — o principal aliado dos Estados Unidos — por meio da ocupação, colonização e genocídio. «Não podemos aceitar as imagens de crianças morrendo de fome, nem de jovens e mulheres sendo mortos em filas para conseguir um pedaço de pão», declarou. 
 
Da mesma forma, o presidente da FMJD criticou duramente as mais de cem sanções impostas à Venezuela, a interferência e as agressões militares dos Estados Unidos, incluindo o «sequestro brutal de seu presidente».
 
Também rejeitou o bloqueio criminoso que Cuba sofre e a indignação de incluir a Ilha na lista de países patrocinadores do terrorismo, quando na realidade ela «patrocina saúde, educação e solidariedade com tantos povos». 
 
«Este povo heróico, esta juventude heróica de Cuba, pode sempre contar com a solidariedade dos povos do mundo na sua luta em defesa da sua soberania e no caminho para a construção de uma nova sociedade», afirmou. 
 
«Cuba sempre poderá contar com a solidariedade e o trabalho ativo da Federação Mundial da Juventude Democrática para garantir a continuidade da Revolução Cubana».
 
Lembrou os Festivais Mundiais da Juventude e dos Estudantes realizados em Havana em 1978 e 1997, sempre com o apoio do Comandante-em-chefe. Enfatizou que, para Fidel, «acreditar na juventude era mais do que uma convicção, era uma atitude, uma forma de pensar». 
 
Por sua vez, José Alejandro Alonso Cáceres, representante da Organização Continental de Estudantes da América Latina e do Caribe (OCLAE), lembrou que o Comandante-em-chefe foi o primeiro a receber a Ordem da Solidariedade dessa organização, por sua incansável luta contra o imperialismo e em prol da paz, da soberania e da autodeterminação. «Fidel é um exemplo de dignidade e resistência; ele nos legou uma fé inabalável na vitória», afirmou. 
 
Nesse sentido, reafirmou o compromisso do movimento estudantil com «a Ilha rebelde e com Fidel» para defender as bandeiras da solidariedade, do internacionalismo e do socialismo. «Porque se o presente é de luta, o futuro é nosso», concluiu.
 
 
JOVENS CHILENOS FAZEM SUAS VOZES
 
No contexto do centenário do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, a presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile, Ivania Garrido, representando a juventude comunista do país sul-americano, denunciou a ideologia predominante que busca individualizar a precariedade.
 
O líder estudantil alertou sobre o momento difícil que o Chile está atravessando: «Desde março, o Chile tem um governo de extrema-direita que está cortando o orçamento da educação e ameaçando a autoridade que tanto lutamos para conquistar. Um governo que quer impor uma lógica de segurança e controle dentro das escolas».
 
A resposta, disse, já começou: «Nos últimos meses, os estudantes voltaram às ruas com um slogan que diz tudo: a educação pública deve ser defendida».
 
Por isso, segundo Ivania Garrido, Fidel volta a falar com eles: «Ele nos ensinou que um movimento estudantil fechado em si mesmo tem um teto baixo, e que sua verdadeira força aparece quando ele deixa de falar apenas em nome dos estudantes e se une aos trabalhadores e ao povo».
 
Enfatizou que a tarefa de sua geração «não é apenas defender o que conquistamos, mas questionar novamente a raiz do problema, aquele modelo de mercado que transformou um direito em negócio. O estudante que se isola se esgota; aquele que constrói comunidade, se transforma».
 
A presidente da Federação alertou para o maior risco atual: «a perda do senso de história. Estamos sendo empurrados para um presente sem memória e sem futuro». Ela retomou a definição de Fidel: «Revolução é um senso de momento histórico». Nesse sentido, defendeu a recuperação desse horizonte em tempos que buscam nos deixar sem passado e sem objetivo.
 
«Fidel acreditava em nós, a juventude desta América. Respondemos que também acreditamos. Acreditamos em seu projeto e sabemos que acreditar não é para se acomodar, mas para continuar. Que este centenário não seja uma despedida, que seja uma rebelião».
 
Em discurso para jovens cubanos e delegados de partidos progressistas de todo o mundo, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou que o legado duradouro do Comandante-em-chefe só será possível se for abraçado por aqueles que construirão o amanhã.
 
«Os jovens devem defender o legado humanista e revolucionário de Fidel, porque são eles que são chamados a construir o futuro, a criar um mundo melhor», declarou Díaz-Canel.
 
O presidente dedicou a primeira parte do seu discurso a avaliar a maturidade alcançada pela juventude mundial, que definiu como um setor que amadureceu enormemente ao confrontar as sociedades capitalistas. 
 
Citou como exemplo as mulheres e os homens cubanos que – afirmou – «vivem com as exigências causadas pela intensificação do bloqueio e pelo genocídio econômico imposto pelos inimigos da nação».
 
Também lembrou o ano de 1953, quando, no centenário do nascimento de José Martí, Cuba sofria sob uma tirania brutal e se rendeu aos monopólios norte-americanos.
 
Lembrou que Fidel, um erudito e distinto seguidor de José Martí, denunciou essa realidade ao mundo. Nesse momento, o presidente citou textualmente um trecho do discurso de Fidel nas Nações Unidas — que ele descreveu como «o mais significativo e mais longo» naquela organização — no qual as figuras da opressão foram apresentadas.
 
«Foi então que a geração do Centenário de Martí, abraçando a ideia socialista e com enorme empenho, lançou-se na luta armada», explicou Díaz-Canel.
 
Destacou os marcos daquele ano fundamental: a marcha com tochas em 27 de janeiro – uma tradição que a juventude cubana mantém até hoje – o ataque aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes em 26 de julho, a prisão, o exílio no México, o desembarque do iate Granma, a epopeia na serra Maestra e, finalmente, o triunfo de 1959.
 
Com essa narrativa histórica, o chefe de Estado expressou que a juventude de hoje é o presente, «a geração do centenário do Comandante-em-chefe Fidel».
 
Por outro lado, Díaz-Canel argumentou sobre o cenário que esta geração enfrenta: «Estamos diante de uma ofensiva imperialista contra o Sul Global que se manifesta sobretudo por um período de declínio do capitalismo, o qual se expressa com as ideias mais ultraconservadoras».
 
E alertou que isso explica «o crescimento do fascismo e das tendências fascistas no mundo».
 
Nesse sentido, explicou que estamos enfrentando uma guerra ideológica porque «eles estão tentando impor a lógica capitalista, a lógica imperialista». Uma guerra cultural porque, para impor essas ideias, «eles precisam destruir nossas mentes, precisam destruir nossa memória histórica. Portanto, estão tentando nos colonizar culturalmente e romper nossos laços com a história». E uma guerra midiática devido às «enormes campanhas de desinformação, uma manipulação midiática tão agressiva que vai contra os valores da humanidade».
 
Ele denunciou as campanhas de «assassinato de reputação» e o mecanismo perverso de «tornar o perpetrador invisível» para criar pretextos que justifiquem a guerra.
 
O presidente concluiu seu discurso com um mandato claro para a juventude, estruturado em torno de três premissas fundamentais derivadas do pensamento de Fidel:
 
• Colocar o humanismo acima da lógica do algoritmo.
 
• Priorizar a identidade cultural em detrimento da colonização cultural.
 
• Colocar a solidariedade acima do egoísmo, como pediu Fidel.
 
«E assim teremos um mundo melhor. Acreditamos que vocês podem construir esse mundo melhor», disse.