ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Juvenal Balán
O vice-ministro das Relações Exteriores da República de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, falou na manhã de terça-feira, 11 de agosto, sobre os ensinamentos fundamentais do pensamento de Fidel, que, segundo o diplomata, guiaram e continuam a guiar as ações do nosso país no cenário internacional.
 
O discurso centrou-se em três pontos fundamentais; o primeiro, «a defesa dos nossos direitos soberanos sem margem para a mais leve confusão ou a menor redução, mesmo perante perigos extraordinários», tendo como exemplo típico o caso da Crise de Outubro.
 
Em segundo lugar, não negociar com o adversário, nem com qualquer governo, e manter a solidariedade e os compromissos internacionalistas de Cuba com diversas causas e povos.
 
A este respeito, Fernández de Cossío referiu-se às múltiplas pressões exercidas pelos EUA ao longo da história da Revolução, com o objetivo de reprimir a manifesta solidariedade com a causa da independência de Porto Rico e o esforço internacionalista de Cuba em África.
 
«Em troca da libertação de quatro prisioneiros norte-americanos que cumpriam pena em Cuba por crimes cometidos e de interesse do governo dos EUA, nosso país não pediu concessões bilaterais aos Estados Unidos, nem benefícios para Cuba, mas sim a libertação dos ativistas pela independência de Porto Rico, Lolita Lebrón, Rafael Cancel Miranda, Irvin Flores e Andrés Figueroa», lembrou.
 
Ele também citou Carlos Rafael Rodríguez em defesa do internacionalismo cubano: «Não há nenhuma obrigação que tenhamos assumido com qualquer país, grupo ou governo que não tenhamos sido capazes de honrar. Isso deveria ficar claro para os Estados Unidos».
 
O terceiro foco da intervenção foi a denúncia da ordem econômica internacional. Fernández de Cossío enfatizou que esta não era meramente uma empreitada intelectual, mas sim mais uma luta revolucionária na busca por justiça para todos no planeta.
 
Destacou a visão decolonial das abordagens do Comandante e os caminhos que ele sugeriu para uma redistribuição mais justa dos recursos, dado o paradoxo de que «nunca antes a humanidade teve um potencial científico e técnico tão formidável, uma capacidade tão extraordinária de gerar riqueza e bem-estar, e nunca antes o mundo foi tão desigual e a desigualdade tão profunda».
 
O diplomata afirmou que os ensinamentos de Fidel Castro guiaram e continuam guiando a atuação de Cuba em espaços como as Nações Unidas, o Movimento Não-Alinhado, o Grupo dos 77 e a China, os órgãos e mecanismos regionais da América Latina e do Caribe, e qualquer fórum onde a luta por justiça e a aspiração por um mundo melhor nos permitam contribuir com a nossa parte.
 
De acordo com o vice-ministro, além dessas três linhas de ação, o trabalho e o ensinamento de Fidel em política externa abrangeram, incorporaram e educaram o povo cubano sobre algumas das questões mais complexas do cenário internacional.
 
«Não podemos esquecer as assembleias populares e massivas na Praça da Revolução, nas quais centenas de milhares de cubanos ouviram e aprovaram a Primeira e a Segunda Declarações de Havana; a enorme solidariedade com o povo do Vietnã; as primeiras brigadas médicas para a Argélia; as doações de sangue para pessoas em situações de desastre; a criação do Contingente Internacional Henry Reeve e sua contribuição decisiva para a saúde em diversas latitudes, inclusive no enfrentamento de epidemias como o Ebola na África Ocidental e a luta contra a Cpvid-19 em mais de 40 países e territórios».
 
«Graças aos esforços de professores e docentes cubanos, dezenas de milhares de estudantes de todo o mundo foram educados em nossas escolas e universidades. O feito internacionalista de Cuba na África foi uma epopeia massiva e voluntária do povo, envolvendo mais de 350.000 combatentes».
 
A ambição de Fidel era defender o direito inquestionável de seu país de desfrutar de soberania plena e absoluta e, junto com o corajoso povo cubano, tentar contribuir para fazer justiça ou pôr fim à injustiça em todos os cantos do planeta, concluiu Fernández de Cossío.