ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

BRUXELAS.— O primeiro vice-presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse em Bruxelas, em 9 de junho, que existem diferenças e desafios comuns entre a América Latina e Caribe e na Europa e apelou a um diálogo construtivo entre as duas regiões.

Photo: Prensa Latina

Há muito tempo, a Europa propôs uma relação igualitária com os países da América Latina e do Caribe, “mas realmente nunca temos chegado a essa condição de igualdade”, expressou em declarações à Prensa Latina.

Portanto, disse ele, “as assimetrias e as diferenças no desenvolvimento são cada vez maiores. Há também diferentes visões sobre como os países latino-americanos e caribenhos e os europeus percebemos os elementos sobre o desenvolvimento, especialmente as políticas a serem implementadas para alcançá-lo”.

“Há insatisfação entre as nações da nossa área em relação ao que foi alcançado nesta parceria birregional”, disse Diaz-Canel, que está em Bruxelas para participar da segunda Cúpula entre a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac) e a União Europeia (UE), em 10 e 11 de Junho.

Em sua opinião, a Cúpula é um espaço para rever e propor a forma de alcançar e como aperfeiçoar este relacionamento inteiro. “Estamos em um momento em que vemos que há mais vontade política dos países europeus para ter um diálogo de respeito, de não ingerência e não discriminatório para as nações da América Latina e do Caribe”.

Não obstante, segundo sua opinião, há capacidades para abordar em uma agenda e em um diálogo político e de cooperação, questões como o desenvolvimento sustentável, as questões sociais, a saúde, a segurança pública, questões de migração, a luta contra as drogas, como avançar em um intercâmbio científico-técnico, educacional, nos problemas das mudanças climáticas e do meio ambiente.

“Tudo isto deve ser tido em conta sem ignorar a dívida histórica que têm os países europeus com a América Latina e o Caribe. Esperamos poder entabular um diálogo que permita ter um programa mais realista naquilo que tem sido chamado de parceria birregional”, disse Díaz-Canel.

“O contexto é diferente, uma vez que começou este tipo de cúpulas, e nessa relação aconteceram coisas muito importantes: a América Latina e do Caribe estão integradas na Celac e a Europa transitou desde 2007 pelo Tratado de Lisboa”, precisou.

Diaz-Canel disse que a isso se acrescenta o processo de restabelecimento e posterior normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos. "Nosso relacionamento com a Europa também é matizado por esses eventos que marcam não só a nossa dimensão nacional, mas também na América Latina, no Caribe e na Europa."

O primeiro vice-presidente cubano ressaltou que, nos últimos tempos, "tem havido uma relação mais fluida com os países europeus, depois que a cooperação foi restaurada e agora estamos em um caminho importante porque reviveu o diálogo político e de cooperação para realmente chegarmos a um acordo" nesse sentido.

“Há muitos pontos em comum entre Cuba e a Europa, nos quais podemos trabalhar, como a mudança climática, o desenvolvimento sustentável, o intercâmbio científico-técnico, estudantil e as questões da saúde”.

Inclusive, nós podemos cooperar ligados a terceiros países, ou seja, uma relação tripartite na qual possamos incluir nações africanas e latino-americanas. “Nós podemos fornecer recursos humanos e outros teriam que tomar conta da parte financeira e tecnológica. Isso teria que levar em conta que sejam os interesses desses países”.

O vice-presidente cubano expressou que há um cenário favorável para ter um diálogo construtivo e disse que tanto a Celac como Cuba vão a esta Cúpula com uma posição de diálogo construtivo, desde que seja respeitada sua soberania e não haja ingerência nos seus assuntos internos.

“Eu acho que existem condições para um progresso real, até mesmo mais maduro, em outros momentos”, acrescentou.