ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Leonel Fernández, ex-presidente da República Dominicana. Photo: Jose M. Correa

SANTIAGO DE CUBA. — O ex-presidente dominicano, Leonel Fernández, diz que sua presença em Santiago de Cuba é um testemunho de amizade, por parte do povo dominicano e por parte do Partido da Libertação Dominicana, para Cuba. Diz que Martí e Gómez são a melhor demonstração do vínculo entre estes dois países.

E que seu povo tem esse desejo de que a sociedade cubana continue progredindo; que todos os cubanos continuem tendo um grande orgulho de seu patriotismo.

Então, eu lhe pergunto por Fidel.

“Conheci Fidel há 20 anos, no contexto da 6ª Cúpula Ibero-americana. Na ocasião, levaram-nos em um ônibus desde Santiago do Chile até Viña del Mar. E coube-me sentar-me ao lado de Fidel. Foi uma viagem de três horas, tendo o privilégio de conversar amplamente com ele».

«O que descobri, em primeira instância, foi uma pessoa com uma curiosidade insaciável. Queria saber tudo. Falava interrogando. E fazia perguntas com as coisas que eu nunca tinha pensado; coisas como: qual o volume de produção de porcos em meu país, ou de aviários para a produção de frango. E eu: ora, presidente, não sei, não tenho ideia. Porque a gente nunca tinha refletido acerca desses temas, certo? Ele era um de-safio intelectual para qualquer pessoa».

«Obviamente, estudando sua trajetória, descobre-se uma singularidade em sua liderança: que para ele não existia a palavra adversidade. Convertia a adversidade em vitória. E isso tem muito a ver com a força das convicções. As suas eram convicções muito enraizadas, muito profundas; essas crenças pareciam levá-lo até o limite de temeridade. Porque o ataque ao quartel Moncada foi um ato de audácia e de temeridade. O desembarque do iate Granma foi outro ato de audácia; foi algo que pôs em perigo sua vida. E ele era alguém que não tinha medo do perigo, em prol de atingir um ideal».

«Por outro lado, destaca seu talento, sua inteligência, sua preparação, sua cultura. Era um magnífico orador, um gênio da palavra, um pedagogo».

«Todas essas qualidades foram resumidas em uma pessoa que se tornou não só um líder, mas sim no guia até emocional de seu país. E isso era Fidel. E, por isso, é um referente para todos os que temos desenvolvido no tempo alguma responsabilidade em nossos respectivos povos. Nunca em sua dimensão; nunca com sua estatura. Sempre modestamente».

«Mas é preciso desenvolver esses atributos: a pessoa tem que ter paixão pelo saber; tem que ter paixão pelas ideias; tem que desenvolver convicções em relação a suas crenças; tem que sentir um compromisso com as pessoas. E ter sentido da história. E Fidel, obviamente, apoiava-se na história para todas suas ações. Mas também, tinha visão de futuro. E é preciso saber para onde ir».

«Portanto, para minha geração e para mim, pessoalmente, Fidel é um âmbito de referências acerca de como se exerce uma liderança com sentido da responsabilidade».

Quanto de Fidel fica em Leonel Fernández?

«Esta sempre o modelo referencial, embora correspondêssemos a momentos históricos diferentes. Em minha época já a luta pela democracia se foi consolidando. Eu venho de uma família humilde e ser presidente da república, em três ocasiões, significa que em meu país existe um sistema que permite que isso seja possível. E esse sistema antecedido por muitas lutas e derramamentos do sangue...»

«Mas Fidel nasceu em uma época na que não havia democracia possível. Por isso optou pelo caminho da Revolução».

«Eu vejo Fidel com respeito, com admiração, com o sentimento de orgulho de ter tido um compatriota latino-americano de estatura universal. Por isso, a notícia de seu falecimento me entristeceu. Eu e o povo dominicano. Porque, embora percebêssemos que foi chegando a uma idade avançada, nunca pensamos que Fidel acabaria morrendo».

«Também é um capítulo da história que se fecha; porque nós vivíamos toda essa metodologia construída ao redor do Moncada, ao redor de Girón...; e acompanhávamos todos seus discursos; que era uma coisa fabulosa. Então apreendemos muito de seu método, de sua forma de entender, de sua forma de interpretar, de colocar no contexto».

«Fidel era um mestre da política. E um grande estrategista militar. E um visionário que entendia a geopolítica mundial e sabia conduzir-se nesse contexto. Também, fez contribuições valiosíssimas à compreensão da realidade de nossos povos da América Latina».

«Fidel deu sentido de dignidade ao povo cubano. E de respeito. Não é uma sociedade rica; é uma sociedade que tem suas limitações. Mas, apesar disso, tem um sentido de dignidade que a coloca acima dos temas materiais».

«Fidel também levou a solidariedade a um nível insuspeito».

«Fidel é uma figura iconográfica».

«Fidel é alguém nosso».

«É preciso estudá-lo».