ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Foto: AFP

TUDO é muito claro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, age por arroubos — com a representação teatral incluída — e até é capaz de qualificar a produção de energia extraída do carvão como «a mais limpa», sem se preocupar pelos efeitos nocivos para o meio ambiente.

«Terminamos a guerra contra a energia norte-americana e concluímos a guerra contra o carvão bonito e limpo. Agora estamos orgulhosos de exportar energia para o mundo», disse o presidente em seu Relatório acerca do Estado da União, em 30 de janeiro de 2018.

Antes, quando dava seus primeiros passos como magnata-presidente, achou que era irracional e descreveu como «mentira» o que se fala sobre as mudanças climáticas e deu as costas ao Acordo de Paris, alcançado por quase todos os países do mundo — incluindo os Estados Unidos — um dos acordos mais aplaudidos pela comunidade internacional.

Então, Trump achou incoerente com sua maneira de pensar e agir que os principais países produtores de petróleo —diga-se a Venezuela e a Rússia, fundamentalmente — iriam beneficiar-se com o aumento do preço no mercado internacional e então resolveu dar todo o apoio e dinheiro para a produção de petróleo e gás através do método de fracking (fraturamento hidráulico) para obter gás de xisto, extraído de rochas com o uso de grandes quantidades de água e aditivos químicos, os que poluem o meio ambiente e causam diversas doenças, como o câncer.

De acordo com as previsões da Agência Internacional da Energia, a produção dos EUA atingirá o valor recorde de dez milhões de barris de petróleo bruto por dia. Inclusive, vai alcançar a autosuficiência energética em 2035, através da extração acelerada do xisto.

Verificou-se, por meio de evidências e estudos em locais próximos dos poços com gás extraído com a fratura hidráulica, a contaminação das fontes externas e subterrâneas de água doce, bem como o aumento das emissões de gases que provocam o efeito estufa.

Em uma Reflexão do líder histórico da Revolução Cubana, Comandante-em-chefe Fidel Castro, em 5 de janeiro de 2012, adverte que «...a exploração de uma plataforma com seis poços pode consumir 170 mil metros cúbicos de água e até mesmo causar efeitos nocivos, como influenciar movimentos sísmicos, contaminar o solo e as águas superficiais e afetar a paisagem».

Basta dizer que entre os inúmeros produtos químicos que são injetados com a água para extrair este gás estão o benzeno e o tolueno, duas substâncias extremamente cancerígenas.

Por tudo isso, existem inúmeros grupos ambientais que advertiram que a política de instalações para fracking que encoraja o governo de Donald Trump representa uma séria ameaça para o meio ambiente.

Outra medida do atual presidente é a suspensão das restrições de exportação e autorização para operar em áreas protegidas, como o Refúgio de Vida Selvagem Nacional do Alasca.

Acusações de todos os tipos já foram ouvidas em todo o mundo. Em uma informação da agência IPS destacam as declarações de Robert Howarth, da Universidade Cornell, no estado de Nova York, onde garante que com a extração de gás de xisto se geram entre 40 e 60 vezes mais emissões de gases de efeito estufa do que o convencional, o que é pior a queimar petróleo ou carvão, porque o metano tem 105 vezes mais potencial para reaquecer a atmosfera do que o dióxido de carbono.

Não há dúvida, a obsessão de Trump e sua equipe é saturar o mercado com seu próprio petróleo, de onde quer que venha, mesmo que seus conterrâneos estejam expostos à mais terrível contaminação ambiental e à presença de doenças que afetam crianças e adultos. O aspecto geoestratégico está acima do humano. Mais um ponto para Trump em sua caminhada pelos assuntos presidenciais para os que, obviamente, não está, minimamente, preparado.