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O ativista pró-armas Philip Van Cleave participa de um vídeo infantil, juntamente com Baron Cohen disfarçado, onde convida meninos e meninas a usarem armas de fogo. Foto: Youtube

UM seriado de televisão recentemente apresentado nos Estados Unidos, em seu primeiro capítulo, destinava-se a ensinar crianças de quatro a 12 anos a usar armas e, assim, ser capaz de se defender contra ataques frequentes em escolas daquele país. É catalogado como uma sátira bem elaborada que visa ridicularizar o chamado «sonho americano».

Imagine que liga a televisão e, de repente, pessoas famosas aparecem na tela dando uma «aula» na qual ensinam crianças americanas entre quatro e 12 anos de idade a usar armas para se defenderem contra os ataques. Até mesmo um ex-congressista, Joe Walsh, garante que, ao assistir a esse programa, «em menos de um mês, uma criança da primeira série pode se tornar lançadora de granadas».

Tudo isso e muito mais pode ser visto em uma sitcom de sete episódios, com a qual o ator britânico Sacha Baron Cohen voltou à televisão e quis revelar uma doença intrínseca ao sistema. O programa Who is América? (Quem é a América?) é dirigido por personagens fictícios finamente criados e inventados. Cada capítulo de meia hora zomba do chamado sonho americano.

Classificado por alguns como um bom humor negro, os relatos do seriado apareceram em várias mídias recriando várias opiniões de políticos dos Estados Unidos, principalmente republicanos, que aplaudem a iniciativa de trazer para a tela o que ajudaria às crianças lidarem com armas.

O congressista republicano, Joe Wilson, defende a ideia do programa «infantil» com o argumento de que «uma criança não pode se defender de um fuzil atirando uma caneta da Hello Kitty».

«Hoje vamos mostrar-lhe como parar esses bandidos e fazê-los tirar uma soneca longa», diz o presidente da Liga de Defesa do Cidadão da Virgínia (VCDL) no início do seriado, segundo um relatório da BBC Mundo.

O programa de televisão também mostra conteúdos de natureza racista e xenófoba. Foto: Youtube

O personagem é mostrado na tela segurando o «Puppy pistol» (pistola de cachorro), uma arma decorada com um bicho de pelúcia, e depois explica como carregá-lo. «Pegue a lancheira (neste caso, o carregador) e coloque na barriguinha», diz. E conclui: ««Lembre de apontar a boca da Puppy Pistol bem no meio do homem mau. Se tiver uma barriga grande e gorda, aponte para ela», disse o relatório de imprensa acima mencionado.

Como aparece em alguns meios de comunicação, o esboço que fundamenta o vídeo começa com o artista apresentando-se como o coronel israelense Erran Morad, que diz que «a NRA (Associação Nacional do Rifle dos EUA) quer armar os professores. Isso é loucura, deveriam armar as crianças!», afirma.

Um artigo de La Red21, urna fonte de notícias digital uruguaia, aponta que «chegou a hora de tirar a artilharia pesada para expor as misérias dos Estados Unidos de hoje». Sacha Baron Cohen chegou para não ter meios termos, de dardos sem força e metáforas. Para Cohen, há apenas uma maneira de acordar: uma pancada de mão aberta, que na sua maneira de entender o cinema e a televisão significa que o humor é tão óbvio e tão grande quanto possível, mas tudo com a clara intenção de contar ao público o lado mais sombrio e sinistro dos EUA atualmente. Seu Who is America?».
Consultando várias fontes sobre o assunto, deixe-me internalizar um pouco sobre esse fenômeno de armas dentro da sociedade americana. Tudo, a partir de uma emenda constitucional que favorece que as pessoas, possam adquiri-las, carregá-las e utilizá-las.

Sob esse prisma, nos Estados Unidos, com uma população de aproximadamente 329 milhões 252 mil 400 habitantes, segundo dados de 18 de junho de 2018, existem mais de 393,3 milhões de armas nas mãos da população. Há cidadãos que não possuem e outros que possuem arsenais reais.

Vale lembrar que, em média, 13 mil pessoas morrem a cada ano e duas pessoas são feridas por cada um que foi assassinado naquele país em consequência de armas, não incluindo aquelas figuras que morrem em guerras em outros países onde o Pentágono participa.

Na minha opinião, esta libertinagem militar é quase impossível de controlar, especialmente quando são o Complexo Industrial Militar e a Associação Nacional do Rifle, elementos determinantes no fio condutor de uma sociedade cada vez mais afundada na lama de obter dinheiro de qualquer forma e a qualquer preço, mesmo que seja a vida de seus próprios concidadãos.

Qualquer tentativa relacionada com o suposto «controle» de armas desaparece em um labirinto onde a realidade é diferente: os políticos — incluindo os presidentes — fazem parte do quadro em que os lobbies dos consórcios de armas dentro das estruturas de poder — Parlamento, Congresso Pentágono, Departamento de Estado e outros — são beneficiados com dinheiro de armas.

Apenas um exemplo: a Associação Nacional do Rifle gastou US$30 milhões na campanha presidencial de Donald Trump. Da mesma forma, o Congresso, dominado pelos republicanos, se opôs à proibição de vender fuzis de assalto estilo militar e carregadeiras de alta capacidade, mesmo depois dos massacres ocorridos em escolas daquele país, com dezenas de menores mortos, como enfatizam os relatórios de notícias citados.

Na filosofia desse sistema, armar a população, inclusive os menores, faz parte de uma realidade que passa por se autoproclamar o direito de declarar guerras em qualquer lugar que considerar, e com isso, tanto as armas que compram seus cidadãos como aquelas vendidas ou enviadas para o exterior, incentivam um Complexo Militar por seus grandes benefícios financeiros.

Não é por acaso que algumas fontes chegam a afirmar que o Complexo Militar Industrial é o suporte desse sistema.

INFOGRAFIA

EM NÚMEROS

329.252.400: população até junho de 2018 nos Estados Unidos

393,3 milhões: de armas

30 milhões: dólares para a campanha presidencial do Trump, doada pela Associação Nacional do Rifle

13 mil pessoas: mortas a cada ano por armas de fogo

2 pessoas: feridas por cada uma assassinada