ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

Entrevista coletiva oferecida à imprensa nacional e estrangeira por Bruno Rodríguez Parrilla, ministro das Relações Exteriores da República de Cuba, na sede do Minrex, em 3 de outubro de 2017, «Ano 59º da Revolução».

(Tradução da versão estenográfica - Conselho de Estado)

Alejandro González Galiano (Moderador).— Boa tarde.

Photo: Ricardo López Hevia

Agradecemos a presença dos colegas da imprensa nacional e estrangeira nesta convocação para a entrevista coletiva com a imprensa do ministro das Relações Exteriores de Cuba, companheiro Bruno Rodríguez Parrilla.

Encontram-se conosco 60 correspondentes de 31 meios de comunicação estrangeiros, além dos principais meios de comunicação, é claro, da imprensa nacional.

Esta conferência, informo-lhes, está sendo transmitida ao vivo pela televisão cubana, a Cubavision Internacional, Radio Rebelde, Radio Habana Cuba e via streaming através do canal Youtube, do site Cubaminrex.

Primeiramente, o ministro apresentará uma declaração e depois estará disponível para responder algumas perguntas.

Bruno Rodríguez.— Boa tarde.

Photo: Ricardo López Hevia

Por instruções do meu governo, em nome do povo cubano, desejo transmitir sinceras condolências às famílias das vítimas e ao povo norte-americano pelo ataque ocorrido em 1º de outubro na cidade de Las Vegas.

Anteriormente, também expressamos profundas condolências ao povo dos Estados Unidos, às famílias das vítimas e àqueles que foram vitimados pelo furacão Irma.

Mais recentemente, dirigimos nossos sentimentos de amizade e solidariedade ao irmão povo porto-riquenho, a quem oferecemos nossa modesta cooperação, com um hospital de campo, uma equipe de 41 médicos especializados em catástrofes e 4 brigadas de engenheiros e eletricitários. Estamos aguardando a resposta dessas autoridades, mas renovamos nossa profunda solidariedade com o povo porto-riquenho.

A seguir, eu vou ler a

DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

Em 29 de setembro de 2017, o secretário do Estado dos EUA, Rex Tillerson, anunciou a decisão de reduzir significativamente o pessoal diplomático de sua embaixada em Havana e retirar todos os membros das famílias, alegando que se tinham produzido ‘ataques’ contra funcionários do governo dos EUA em Cuba, que afetaram sua saúde.

Em 3 de outubro de 2017, mais uma vez, o governo dos EUA, em uma ação injustificada, determinou que 15 funcionários da Embaixada de Cuba em Washington deixaram o território dos Estados Unidos, sob o argumento de que eles reduziram sua equipe diplomática em Havana e que o governo cubano não teria tomado as medidas necessárias para evitar ‘ataques’ contra eles.

O Ministério das Relações Exteriores protesta fortemente e denuncia esta decisão infundada e inaceitável, bem como o pretexto utilizado para justificá-la, afirmando que o governo cubano não tomou todas as medidas apropriadas para prevenir os supostos incidentes.

Na reunião realizada, sob proposta do lado cubano, com o secretário do Estado, Rex Tillerson, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, advertiu-o acerca de não tomar decisões apressadas sem apoio em evidências, pediu-lhe que não politizasse uma questão desta natureza e reiterou o seu pedido de cooperação eficaz por parte das autoridades dos EUA para esclarecer os fatos e concluir a investigação.

Esta é a segunda vez, depois que em 23 de maio de 2017, o Departamento de Estado ordenasse que dois diplomatas cubanos em Washington deixassem o país, que o governo dos Estados Unidos responde de forma apressada, imprópria e sem pensamentos, sem evidências quanto à ocorrência dos fatos invocados, nos quais Cuba não tem qualquer responsabilidade, e sem a conclusão da investigação que está em andamento.

Tal como foi informado pelo ministro cubano das Relações Exteriores ao secretário de Estado Tillerson, em 26 de setembro de 2017, Cuba, que já foi vítima de ataques aos membros do seu pessoal diplomático no passado, os que foram mortos, desaparecidos, raptados ou agredidos no exercício das suas funções, cumpre com toda a seriedade e o rigor as suas obrigações com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, no que diz respeito à proteção da integridade dos agentes diplomáticos credenciados no país, no qual pode mostrar um histórico impecável.

Tal como informou o ministério, em 9 de agosto passado, a Embaixada e o Departamento de Estado dos EUA informaram, em 17 de fevereiro de 2017, a alegada ocorrência de incidentes contra alguns funcionários dessa sede diplomática e seus familiares, desde novembro de 2016, afirmando que lhes causaram danos e outras afecções. A partir desse momento as autoridades cubanas agiram com grande seriedade, profissionalismo e imediatismo para esclarecer esta situação e iniciaram uma investigação exaustiva e prioritária, por indicações do mais alto escalão do governo.

As medidas de proteção dos diplomatas dos EUA, suas famílias e suas residências foram fortalecidas, foram criados novos canais de comunicação expedita da Embaixada com o Departamento de Segurança Diplomática e foi criado um comitê de especialistas para a análise integral dos fatos, composto por autoridades policiais, médicas e científicas.

Em face da informação tardia, frágil e insuficiente fornecida pelos norte-americanos, as autoridades cubanas solicitaram à Embaixada dos Estados Unidos dados precisos e informações adicionais para permitir uma investigação séria e profunda.

A Embaixada dos Estados Unidos forneceu apenas algumas informações de interesse sobre os alegados incidentes depois que, em 21 de fevereiro, o presidente Raúl Castro reiterasse pessoalmente ao Encarregado de Negócios a.i., dessa missão diplomática, a importância de compartilhar mais informações e cooperar entre as autoridades competentes dos dois países. Ainda assim, os dados fornecidos posteriormente continuaram carecendo de descrições ou detalhes que facilitassem a caracterização dos fatos ou a identificação de possíveis autores, caso houver.

Semanas depois, em resposta a novos relatórios de supostos incidentes e informações precárias fornecidas, as autoridades cubanas reiteraram a necessidade de uma cooperação efetiva, alargaram as solicitações de informação às autoridades dos EUA e insistiram em ser notificadas em tempo real acerca da ocorrência de novos incidentes para dessa forma poder agir de maneira oportuna.

Além disso, para contribuir com o processo investigativo e legal estabelecido nos termos da Lei de Processo Penal cubano, os requisitos informativos foram transferidos para as autoridades dos Estados Unidos como parte do processo de investigação.

A informação fornecida pelo lado dos EUA levou o comitê de especialistas cubanos a concluir que esta é insuficiente e que o principal obstáculo para o esclarecimento dos incidentes foi a falta de acesso direto aos afetados e aos médicos que os examinaram, a ausência de informações primárias confiáveis ​​e verificáveis ​​e a incapacidade de realizar intercâmbios com especialistas dos Estados Unidos com conhecimentos acerca de fatos desta natureza e da tecnologia que possa ter sido empregada, apesar de isso ter sido repetidamente levantado como uma necessidade para avançar na perícia.

Somente depois de pedidos repetidos ao governo dos Estados Unidos, representantes de agências especializadas desse país finalmente viajaram a Havana, em junho passado, encontraram-se com seus homólogos cubanos e expressaram sua intenção de cooperar mais substancialmente na investigação dos supostos incidentes.

Eles voltaram a visitar Cuba, em agosto e setembro, permitindo que eles trabalhassem no terreno, pela primeira vez em mais de 50 anos, pelo que receberam todas as facilidades, incluindo a possibilidade de importar equipamentos, como um sinal de boa vontade e do grande interesse do governo de concluir a investigação.

As autoridades cubanas valorizam positivamente as três visitas feitas pelas agências especializadas dos Estados Unidos, as quais reconheceram o alto nível profissional da pesquisa realizada por Cuba, com um alto componente técnico e científico e que, como resultado preliminar, de acordo com a informação disponível e os dados fornecidos pelos Estados Unidos, não há provas da ocorrência dos incidentes alegados, nem das causas e origem das afetações à saúde relatadas pelos diplomatas dos EUA e suas famílias. Tampouco, foram identificados os potenciais autores ou pessoas com motivações, intenções ou meios para realizar este tipo de ações, nem foi verificada a presença de pessoas ou meios suspeitos nos locais onde os eventos foram relatados ou em seus arredores. As autoridades cubanas não estão familiarizadas com equipamentos ou tecnologias que possam ser usadas para esse fim, nem possuem informações que indiquem a sua presença no país.

Ao rejeitar categoricamente qualquer responsabilidade do governo cubano nos supostos atos, o ministério das Relações Exteriores reafirma, mais uma vez, que Cuba nunca perpetrou nem vai perpetrar ataques de qualquer natureza contra funcionários diplomáticos ou suas famílias, sem exceção. Nem permitiu ou permitirá que seu território seja utilizado por terceiros para esse fim.

O Ministério enfatiza que a medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos, no sentido de reduzir o pessoal diplomático cubano em Washington, sem existirem resultados de investigação conclusivos ou evidências dos incidentes que estão afetando seus funcionários em Cuba têm um caráter eminentemente político.

O Ministério insta as autoridades competentes do governo dos Estados Unidos a não continuarem a politizar esta questão, o que pode levar a uma escalada indesejável, bem como a enturvar ainda mais e reverter as relações bilaterais, já afetadas pelo anúncio de uma nova política, em junho passado, pelo presidente Donald Trump.

O ministério reitera a vontade de Cuba de continuar promovendo uma cooperação séria e objetiva entre as autoridades de ambos os países, com o objetivo de esclarecer esses fatos e concluir a investigação, para o qual será essencial a colaboração mais eficiente das agências competentes dos Estados Unidos.

Moderador. Bem, vamos às perguntas. Peço aos jornalistas que se identifiquem e identifiquem o meio ao qual pertencem e façam uso dos microfones na sala, por favor.

Andrea Rodríguez (AP).— Boa tarde.

Senhor, isso significa tanto as medidas tomadas pelos Estados Unidos quanto as tomadas por Cuba, que estamos vivendo aqui hoje em Havana, o início do congelamento entre os dois países, depois de algum tipo de primavera, de dois anos, que ocorreu com Obama? Eu gostaria de escutar seus comentários sobre isso.

E, por outro lado, eu pessoalmente não estou bem claro acerca do que aconteceu com os canadenses. Ou seja, aparentemente, esses diplomatas tiveram os mesmos efeitos que os americanos e o Canadá decidiu não protegê-los ou algo assim?

Bruno Rodríguez.— Cuba não tomou nenhuma ação contra os Estados Unidos, absolutamente. Não discrimina suas empresas, convida seus cidadãos a visitá-la, favorece o diálogo e a cooperação bilateral, não ocupa nenhuma parte do território dos Estados Unidos e não adotou absolutamente nenhuma medida bilateral, mas, pelo contrário, favoreceu um curso respeitoso, com base na igualdade soberana para tratar das nossas diferenças e conviver de forma civilizada com elas, em benefício de ambos os povos e países.

A política anunciada pelo presidente Donald Trump, em 16 de junho e outros eventos que ocorreram a este respeito são, de fato, um revés e enfraqueceram a relação bilateral.

A decisão política injustificada e desmotivada de exigir o abandono do território dos Estados Unidos para 15 funcionários da nossa Embaixada é um ato de natureza absolutamente política, que só beneficia aqueles que querem descarrilar a possibilidade de que as relações entre os dois países continuem avançando, aqueles que desejam reverter os progressos alcançados nos últimos anos, que só pode beneficiar os interesses escuros de um punhado de pessoas.

Posso dizer que as autoridades cubanas estão em contato e cooperação com as autoridades canadenses.

Jorge Legañoa (ACN).— Boa tarde, ministro.

Gostaria, se o senhor pudesse aprofundar um pouco, qual é a justificação que o governo dos EUA deu ao governo cubano para justificar a retirada do pessoal diplomático cubano em Washington e, da mesma forma, se pudesse abordar a questão de como vai permanecer o funcionamento das operações consulares cubanas nos Estados Unidos.

Bruno Rodríguez.— Obrigado.

O lado americano poderia responder melhor isso, mais adequadamente. É difícil explicar o argumento exposto pelo Departamento de Estado para a adoção dessas medidas, tanto da retirada parcial do seu pessoal de Havana quanto da decisão de que parte do pessoal diplomático cubano saia do território dos Estados Unidos.

Eis a declaração do secretário Tillerson, de 29 de setembro. (Mostra o documento). Meses depois que os porta-vozes dos EUA sempre falassem de incidentes e falassem sobre a falta de evidências, achados investigativos ou informações que relacionassem as condições de saúde descritas pelos diplomatas dos EUA com os tais incidentes, o secretário Tillerson lança mão, pela primeira vez, meses depois, da palavra ‘ataques’ e diz que «os funcionários da embaixada dos EUA sofreram uma variedade de danos, produto de ataques de natureza desconhecida». Curiosamente, ele diz depois: «Os investigadores não conseguiram determinar o responsável ou a causa desses ataques».

Na conversa que eu tive com o secretário Tillerson, posso dizer que ele não forneceu um átomo de informação que não fosse conhecido do lado cubano anteriormente e não inclui, de forma alguma, uma evidência ou resultados conclusivos de pesquisas, nem mesmo informações de elementos de pesquisa em andamento.

A nota emitida hoje, 3 de outubro, pelo Departamento de Estado, que é esta (mostra o documento), informa que «depois da redução de pessoal na embaixada dos EUA em Havana, devido aos incidentes atuais que prejudicam a segurança física de nosso pessoal, uma vez que o governo cubano não tomou todas as medidas necessárias para evitar qualquer ataque à integridade física, liberdade ou dignidade do pessoal diplomático dos EUA e os membros de suas respectivas famílias...« os funcionários cubanos devem sair de Washington.

O Departamento de Estado não diz que ocorreram ataques; fala novamente de incidentes que supostamente prejudicam a segurança física. Fala que o governo cubano não tomou todas as medidas necessárias para evitar qualquer ataque. Não diz que tenham acontecido.

Curiosamente, essa é a alegação que ele usa para solicitar que «as pessoas que estão listadas a seguir devem deixar os Estados Unidos dentro de um prazo de sete dias».

É inaceitável e inexplicável que o argumento para exigir que o pessoal diplomático cubano saia do território dos EUA é que os EUA, por sua própria decisão, reduziram a presença do pessoal diplomático dos EUA em Havana ou que o governo cubano não adotou medidas.

Se o desejo do lado dos EUA tem sido proteger a saúde dos diplomatas que poderiam potencialmente apresentar problemas de saúde, qual é a relação que isso pode ter com a decisão de reduzir a presença do pessoal diplomático cubano em Washington? Isso é uma ação de reciprocidade? Obviamente, não pode ser, porque não houve qualquer medida ou qualquer decisão cubana que alguém possa pensar em reciprocidade. É uma medida de prevenção, de proteção da saúde do pessoal diplomático? É absolutamente impensável. O que é isso? É, naturalmente, uma decisão política, não é uma decisão técnica associada ao processo de investigação em andamento. É uma medida de retaliação? Qual é a finalidade dela? Seria bom que o lado americano explicasse isso.

Em uma declaração, nesta manhã, o secretário Tillerson acrescenta como propósito de sua ordem, ou seja, a ordem de retirar o pessoal diplomático cubano de Washington, «o objetivo de assegurar a equidade nas operações das respectivas missões diplomáticas». O que isso significa? eu pergunto ao Departamento do Estado. Ou seja, por que é um objetivo garantir equidade entre decisões unilaterais, impensadas, infundadas e injustificáveis ​​do Departamento de Estado em relação ao seu próprio pessoal, que poderia tentar explicar por razões preventivas quanto à sua saúde, mas, que relação pode isso tem que ver com a decisão arbitrária, politicamente motivada, com objetivos claramente políticos de cortar parte da presença diplomática cubana em Washington DC?

O que disse um funcionário do Departamento de Estado nesta manhã? Bem, ele fez um anúncio, disse que mais um diplomata apareceu afetado.

A imprensa perguntou-lhe rapidamente, quando isso aconteceu, em setembro, em agosto, na semana passada? Ele respondeu que não, ele respondeu que aconteceu no mês de janeiro deste ano e que eles resolveram informá-lo agora, porque o caso foi, eles disseram, reavaliado. A falta de seriedade desta abordagem é surpreendente.

Respondendo a sua pergunta, a resposta dada pelo funcionário do Departamento de Estado, anônima — porque deve-se dizer que os funcionários do Departamento de Estado continuaram constantemente filtrando à imprensa norte-americana informações maliciosas para fins políticos, protegendo-se no anonimato — Este outro funcionário, também anônimo, clandestino, autor oficial do informe à imprensa nesta manhã, tenta responder sua pergunta dizendo: — Eu tenho isso aqui em inglês se alguém quiser vê-lo em inglês — «Os ataques são um reflexo de uma série de incidentes», eu não sei se os tradutores conseguem explicar o que esta frase significa em inglês ou espanhol: «Os ataques são um reflexo de uma série de incidentes que estão afetando nossa equipe diplomática e persistiram por um longo tempo, o que mostrou muito claramente que nosso pessoal sofre desses ataques provenientes de alguém que está usando formas e métodos desconhecidos», quer dizer, os ataques «são um reflexo de uns incidentes» que supostamente «provêm de alguém que está lançando mão de formas e métodos desconhecidos».

«A decisão de rotulá-los como ataques», diz o funcionário anônimo, «reflete que houve um padrão consequente entre os membros da nossa equipe que foram afetados». O que significa em inglês ou espanhol que «a decisão de qualificá-los como ataques reflete que houve um padrão consequente entre os membros da nossa equipe que foram afetados»?

Mas, em seguida, ele termina acrescentando: «Não há outra conclusão que possamos alcançar». Ficção científica, futurismo, de que está falando?

«O que acontece com os cubanos» — quer dizer, com os diplomatas cubanos que devem sair do país — «é que isso garante que haverá um número equitativo de pessoal, que permitirá o funcionamento de nossas embaixadas».

Ou seja, o fato de reduzir o pessoal nos dois territórios facilita, garante, permite o funcionamento das embaixadas? Quando o Departamento de Estado disse que a embaixada americana é reduzida para prestar apenas serviços de emergência, isso não faz sentido.

O funcionário dos EUA continua: «As equipes médicas estão analisando todos os sintomas e estão levando em consideração todas as possibilidades, mas eles conseguiram confirmar que os sintomas que descrevemos estão acontecendo e que nossa equipe está mostrando sintomas». A linguagem do Cantinflas; isto é, é uma retórica incompreensível que tenta disfarçar o essencial que é a falta de dados, resultados conclusivos de investigação, evidências, informações.

Perguntam-lhe: «A reunificação familiar será significativamente afetada, qual é a mensagem para os cubanos?»

E ele responde: «Estamos avaliando o impacto que a redução de nosso pessoal terá sobre esses assuntos», ou seja, como avaliar a posteriori o impacto sobre as questões do reagrupamento familiar, vistos de imigrantes e visitantes aos Estados Unidos. Como será possível avaliar o impacto dos serviços consulares cortados abruptamente e quase completamente em Havana e Washington, depois de terem feito isso?

Porque a situação do consulado cubano em Washington hoje é extremamente precária: após a decisão dos Estados Unidos de retirar pessoal cubano, um único funcionário consular permaneceu em Washington. Eu entendo que o mesmo acontece, infelizmente, também no consulado geral dos EUA aqui em Havana.

Ele enfatizou que «a prioridade é a segurança, a proteção e o bem-estar do pessoal diplomático dos EUA no exterior». E confessa que «unicamente os serviços de emergência estarão disponíveis».

Se o governo dos EUA aplicasse esses padrões para o seu serviço externo, teria que fechar dezenas de embaixadas no mundo agora.

Patrick Oppmann (CNN-Internacional).— Obrigado.

Pode me contar um pouco mais sobre o que os investigadores cubanos fizeram nesses oito meses. Eles estiveram nas casas e hotéis onde os ataques aconteceram supostamente, e como eles sabem que não foi em um terceiro país, ou um grupo terrorista do tipo dos que já fez ataques aqui no passado?

Bruno Rodríguez.— Você poderia me dizer quais foram os ataques que fizeram grupos terroristas ou de terceiros países aqui, nos últimos anos?

Patrick Oppmann (CNN-Internacional).— Bem, o Hotel Capri, o senhor sabe, no Hotel Nacional colocaram bombas há muitos anos, na década de 90.

Bruno Rodriguez.— Claro, você está falando de grupos terroristas com sede nos Estados Unidos e não em países terceiros, mas entendo. Posso dizer que a pesquisa cubana é extremamente profissional, exaustiva, como já foi indicado pelo mais alto escalão de governo em Cuba.

Já mencionei que incluiu o reforço de todas as medidas de proteção para o pessoal diplomático dos EUA. Nenhuma outra medida adicional foi adotada por uma decisão do Departamento do Estado. Inclui o estabelecimento de uma linha de comunicação imediata entre a Embaixada dos Estados Unidos e os dispositivos criados como parte desta investigação, para auxiliar e investigar qualquer incidente. Infelizmente, a grande maioria dos incidentes que ocorreram foram informados pela Embaixada dos EUA meses após a ocorrência.

O grupo de especialistas cubanos, de peritos cubanos, não teve a possibilidade de visitar os lugares afetados que envolvem residências de pessoal diplomático, porque isso foi impedido pela parte americana. Não houve reuniões, como já mencionei, entre o pessoal médico cubano envolvido nesta investigação com os especialistas médicos norte-americanos, que foi repetidamente solicitado. Não foi possível — como foi mencionado aqui — que tenha havido reuniões especializadas entre especialistas de ambos os lados, em relação a aspectos de ordem tecnológica e natureza diversificada.

Eu também posso dizer que — como mencionei aqui — a escassa evidência, supostamente evidência, compartilhada pelo lado dos EUA após pesquisas extremamente profissionais, que atendem aos mais altos padrões internacionais, foi considerada irrelevante para os efeitos da pesquisa em andamento; mas posso reiterar a decisão do governo cubano de continuar esta investigação sob qualquer condição.

E, em segundo lugar, reitero às autoridades do governo dos Estados Unidos o pedido de que eles compartilhem provas, permitam encontros entre os médicos dos EUA e cubanos que lidaram com essas questões e façam uma cooperação mais efetiva.

Moderador.— Cristina. Uma última pergunta.

Cristina Escobar (Televisão Cubana).— Boa tarde. Cristina Escobar, Televisão Cubana.

Eu percebo, a partir da resposta que o senhor acabou de dar, que fora das autoridades médicas norte-americanas, nenhum outro profissional médico avaliou os diplomatas que alegam esses sintomas, em uma confirmação.

Bruno Rodríguez.— Não, eu não disse isso. Ou seja, o que eu disse é que não houve contato algum entre as autoridades médicas dos EUA e as autoridades médicas cubanas.

Cristina Escobar.— E o comitê de especialistas cubanos conseguiu trocar com os diplomatas que reivindicaram os sintomas?

Bruno Rodríguez.— Não, nada. Eu também mencionei que isso não foi permitido.

Cristina Escobar.— Enquanto isso, há uma agenda. Há alguns dias, houve uma reunião da Comissão Bilateral entre os dois governos; no entanto, a última decisão do Departamento de Estado, afirmam, que todas as reuniões que se realizarão aqui em Havana, devido aos alegados riscos no país, deveriam ser suspensas; mas não aqueles que deveriam estar em Washington. Onde está essa agenda bilateral? O que Cuba fará sobre isso?

Bruno Rodríguez.— É uma boa pergunta para o Departamento de Estado. Ou seja, se da mesma forma que aplicaram ‘paridade’ e reduzirem drasticamente o pessoal diplomático cubano em Washington, eles aplicarão a ‘paridade’ e suspenderão reuniões de diálogo em áreas de interesse mútuo ou realizando reuniões para possibilitar a cooperação bilateral em áreas de interesse máximo, não apenas Cuba, mas também o governo dos EUA?

Mas a realidade é que não há uma única evidência sobre a ocorrência de supostos incidentes, nem de suas causas, nem de sua origem, como torna evidente o quebra-línguas do oficial do Departamento de Estado. Vocês podem perguntar ao Departamento de Estado quais evidências ou resultados de pesquisa eles têm disponíveis, quais fatores dessa natureza que levaram em conta para tomar essas decisões arbitrárias.

Com certeza, estas decisões afetam e vão afetar as relações bilaterais, Cristina, em várias áreas. O clima, já rarefeito pela mudança de política anunciada em 16 de junho, em Miami, e pelo discurso das maiores figuras do governo dos Estados Unidos, recentemente, nas Nações Unidas, ficará, sem dúvida, ainda mais enfraquecido por essas decisões políticas precipitadas.

Aliás, já vi que em alguns meios de comunicação foi dito que parte dos funcionários diplomáticos cubanos que foram forçados a deixar o território dos Estados Unidos são oficiais de inteligência. Posso dizer categoricamente que, desde a criação do Escritório de Interesses cubanos em Washington, até este momento, as autoridades diplomáticas cubanas nunca realizaram ou realizarão atividades de inteligência. Não fez, não foi feito por nenhum dos funcionários diplomáticos incluídos na lista do Departamento de Estado que foram convidados a sair desse país.

Devo reiterar que o governo dos Estados Unidos, com essas ações politicamente motivadas e sem pensar, é responsável pela deterioração atual e provavelmente futura das relações bilaterais.

Muito obrigado.

Moderador.— Já terminamos. Muito obrigado a todos.

Na saída, esta Declaração será distribuída em inglês e espanhol.

Obrigado a todos por sua presença.